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Radicais somalis matam 74 em Uganda

Ligado à Al-Qaeda, Al-Shabab assume autoria de atentados em clube e restaurante nos últimos minutos da final da Copa do Mundo

KAMPALA
Um grupo islâmico da Somália ligado à Al-Qaeda assumiu ontem a autoria do ataque que matou pelo menos 74 pessoas em Kampala, capital de Uganda, no domingo. As vítimas do Al-Shabab assistiam aos últimos lances da final da Copa do Mundo em um restaurante e em um clube de rúgbi, quando as bombas foram detonadas.

 

Entre os mortos há 60 ugandenses, 10 etíopes, 2 americanos, 1 irlandesa e 1 “asiático” não identificado. Centenas de pessoas ficaram feridas.

O atentado seria uma resposta à participação de tropas de Uganda na missão de paz da União Africana na Somália. “Avisamos eles (ugandenses) a não enviar tropas para a Somália. Mas nos ignoraram”, disse em comunicado o xeque Ali Mohamud Rage, porta-voz do Al-Shabab. “Essa foi uma pequena mensagem. Vamos atacá-los em todos os lugares, caso Uganda não se retire de nossa terra.”

Treinado por jihadistas veteranos do Iraque e Afeganistão, o grupo somali prometeu ações contra outros países que integram a missão da União Africana. Segundo analistas, Burundi, Quênia, Etiópia e Djibuti seriam alvos potenciais. Combates entre a força de paz internacional, estacionada na região de Mogadíscio, e rebeldes somalis são frequentes e o número de civis mortos tem aumentado.

Apesar dos ataques e ameaças, o governo de Uganda – país majoritariamente católico – promete manter sua presença na Somália para combater os radicais muçulmanos. “Al-Shabab é a razão pela qual devemos permanecer na Somália. Vamos pacificar o país”, disse ontem o coronel Felix Kulaigye, porta-voz das Forças Armadas de Kampala.

Segundo o Crisis Group, organização independente que monitora zonas de conflito, o crescimento da influência de jihadistas estrangeiros fez com que o Al-Shabab se tornasse mais violento e ambicioso. O ataque do domingo foi a primeira ação dos militantes fora do território da Somália.

Investigação. Líderes do grupo militante têm tentado atrair muçulmanos americanos para a guerra santa em território somali. Estima-se que mais de 20 jovens dos EUA, a maioria deles da comunidade muçulmana de Minneapolis, tenham se juntado ao Al-Shabab na Somália.

A Casa Branca informou que o presidente Barack Obama conversou por telefone ontem com seu colega ugandense, Yoweri Museveni. Washington enviou dois agentes do FBI, funcionários da embaixada americana no Quênia, para investigar as circunstâncias da morte dos americanos Emily Kerstetter, de 14 anos, e Nathan Henn, de 25 anos. Os dois faziam trabalho voluntário em Kampala.

“Emily se debatia, gritando, sobre uma piscina de sangue”, conta Lori Ssebulime, que trabalhava com a garota. “Cinco minutos antes da explosão ela disse que queria chorar porque não queria ir embora de Uganda. Ela gostaria de passar o restante do verão aqui.”

Publicado no site: www.estadao.com.br, no dia 13 de julho de 2010.

Quanto à participação de países africanos em uma missão em solo africano pude levantar esta questão no meu Relatório, intitulado “O Brasil e as Operações de Manutenção da Paz das Nações Unidas”, ao tratar dos problemas existentes quando países vizinhos ou que tenham certo interesse resolvem participar de uma missão de paz. A participação pode ser a pólvora para novos conflitos.

De qualquer forma, ataques contra civis inocentes não ajudam em nada ao país que se sente prejudicado por tais participações. Não há palavras para expressar a nossa desaprovação sobre o ataque em Ruanda.

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