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Mediador estuda possibilidade de força de manutenção da paz na Síria

O mediador internacional Lakhdar Brahimi estuda a possibilidade de mobilizar uma força de manutenção da paz na Síria, afirmou um integrante do Conselho Nacional Sírio (CNS), a principal instância da oposição, que iniciou reuniões no Qatar.

“Uma das ideias consideradas, dentro de uma iniciativa política, é a mobilização de forças de manutenção de paz, mas a questão ainda está em estudo”, afirmou Ahmad Ramadan, chefe do gabinete de informação do CNS.

Ramadan informou que Brahimi, emissário da ONU e da Liga Árabe, atualmente em uma viagem regional para buscar uma solução ao conflito sírio, se reuniu no fim de semana naTurquia com representantes do CNS.

Lakhdar Brahimi (esq.), novo mediador da Síria, se encontra com o secretário-geral da ONU Ban Ki-moon besta sexta (24) (Foto: AP)Lakhdar Brahimi (esq.), novo mediador da Síria, com o secretário-geral da ONU Ban Ki-moon em agosto (Foto: AP)

Segundo seu porta-voz, Brahimi pediu às autoridades iranianas ajuda para alcançar um cessar-fogo na Síria durante o feriado islâmico de Eid al-Adha, no final do mês.

Brahimi fez o pedido em conversas com líderes iranianos durante uma visita a Teerã, que tem apoiado fortemente os esforços do presidente Bashar al Assad para reprimir um levante de 19 meses contra seu regime.

“Brahimi apelou às autoridades iranianas para ajudarem a conseguir um cessar-fogo na Síria durante o Eid Al-Adha que está por vir, um dos feriados mais sagrados comemorados por muçulmanos ao redor do mundo”, afirmou o porta-voz, referindo-se ao feriado islâmico que começa por volta de 25 de outubro e dura vários dias.

Brahimi também destacou que a crise na Síria “estava ficando pior a cada dia e enfatizou a necessidade urgente para acabar com o derramamento de sangue”, afirmou o porta-voz. “Um cessar-fogo ajudaria a criar um ambiente que permitiria um processo político a se desenvolver”, afirmou o mediador, segundo seu porta-voz.

O predecessor de Brahimi, Kofi Annan, negociou um acordo de cessar-fogo no dia 12 de abril que levou a uma leve queda na violência por alguns dias, mas viu a violência aumentar continuamente nas semanas seguintes.

Desde abril, confrontos espalharam-se para novas regiões do país e mais de 100 pessoas são mortas diariamente, enquanto Assad usa caças e helicópteros para acabar com a revolta.

Fonte: G1

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ONU alerta para o uso de ‘ambulâncias-bomba’ na Síria

Logotipo da ONU

 

“As instalações médicas, seus equipamentos e seu pessoal não podem ser transformados em alvos, nem empregados com fins militares”, afirmou o porta-voz da ONU em comunicado

 Nações Unidas – A ONU alertou nesta terça-feira para o uso de veículos médicos no conflito armado entre as forças leais ao regime de Bashar al Assad e os rebeldes na Síria, de acordo com os últimos relatórios da organização.

“As instalações médicas, seus equipamentos e seu pessoal não podem ser transformados em alvos, nem empregados com fins militares”, afirmou o escritório do porta-voz do secretário-geral da ONU em comunicado à imprensa.

O grupo islâmico Frente al-Nusra reivindicou hoje um ataque contra a sede da Inteligência da Força Aérea na cidade de Harasta, nos arredores de Damasco, no qual explodiram na noite da última segunda-feira uma “ambulância-bomba”.

“Todas as partes envolvidas no conflito devem respeitar as leis humanitárias internacionais e garantir que a população civil não se transforme em alvo dos enfrentamentos”, acrescentou o porta-voz da ONU, Martin Nesirky.

Por último, após lembrar que o único objetivo dos trabalhos humanitários é “salvar vidas e proteger os mais vulneráveis”, reiterou que estas tarefas devem se realizadas “com a mais estrita imparcialidade e neutralidade”.

O grupo islâmico disse em comunicado por meio do Facebook que um terrorista suicida que conduzia um carro carregado com nove toneladas de explosivos se chocou contra o edifício governamental em Harasta e minutos depois outro suicida explodiu uma “ambulância-bomba”.

Fonte: Exame.com

Embaixadora da ONU, Angelina Jolie visita refugiados sírios na Turquia

  • Angelina Jolie chega ao acampamento na Turquia que abriga mais de 12 mil refugiados sírios (13/9/12)

    Angelina Jolie chega ao acampamento na Turquia que abriga mais de 12 mil refugiados sírios (13/9/12)

A atriz Angelina Jolie chegou nesta quinta-feira (13) à Turquia para visitar um acampamento de exilados sírios na qualidade de embaixadora da Boa Vontade do Alto Comissariado da ONU para os Refugiados (Acnur).

O avião no qual a atriz viajava aterrissou no aeroporto de Gaziantep, no sul da Turquia, onde foi recebida por funcionários do Ministério de Exteriores turco, informou a agência “Anadolu”.

Angelina se deslocou em carro, sob grandes medidas de segurança, a um acampamento de casas pré-fabricadas da vizinha província de Kilis.

O acampamento de Öncupinar na província de Kilis é o maior da Turquia e abriga 12,5 mil pessoas, segundo dados da Direção de Emergências e Desastres da Turquia (AFAD).

Angelina Jolie chegou do Líbano, onde ontem se reuniu com refugiados sírios, após uma visita à Jordânia com o mesmo fim, onde iniciou sua viagem na segunda-feira.

Trata-se da segunda visita da atriz aos campos de refugiados sírios na Turquia, já que em junho de 2011 esteve no de Altinozu na província turca de Hatay, pouco após o início de uma crise de deslocados provocada pelo conflito armado sírio.

Nesta semana, o número total de refugiados sírios registrados nos 14 acampamentos administrados pela AFAD, três deles inaugurados nesta segunda-feira, superou as 80 mil pessoas.

O conflito que começou na Síria em março de 2011 provocou o êxodo de 250 mil pessoas, que se refugiaram em países vizinhos, enquanto outras 2,5 milhões necessitam de ajuda humanitária para viver, segundo a ONU.

Fonte: UOL

 

 

 

ONU propõe trocar observadores por missão humanitária

O secretário-geral da ONU (Organização das Nações Unidas), Ban Ki-moon, propôs a substituição dos observadores desarmados por uma missão de ajuda humanitária e impulsionar o diálogo político para tentar acabar com a onda de violência entre as tropas do governo de Bashar Assad e a oposição.

“A ONU não pode interromper seu apoio e ajuda ao povo sírio para conseguir o fim dessa crise, mas deve se adaptar à situação”, afirmou o chefe da organização, em informe enviado ao Conselho de Segurança, revelado pela agência de notícias Efe nesta segunda-feira (13).

Ban acredita que a permanência da organização é vital para a construção de um futuro pacífico para a Síria e deve trabalhar para pedir uma solução “política, negociada e sem exclusões”. O documento será estudado pelos países membros até quinta-feira, quando será analisada a permanência da missão de observadores.

Em 20 de julho, os países do Conselho de Segurança optaram pela permanência do grupo por mais 30 dias. No entanto, os observadores têm evitado sair a campo devido ao aumento da violência no país, especialmente em áreas como Aleppo, onde o regime e a oposição fazem confrontos intensos há três semanas.

A missão foi enviada para verificar a aplicação do plano de paz proposto pelo enviado especial ao país árabe, Kofi Annan, que previa o cessar fogo das duas partes e o início de uma transição política. As medidas foram descumpridas um mês depois por ambos os lados.
Ban Ki-moon lamentou a incapacidade da missão de conseguir os objetivos planejados. “A missão não foi capaz de exercer sua função chave na hora de comprovar o cessar fogo”.

Estudos

O secretário-geral planeja o uso da força humanitária para mediar e facilitar uma solução pacífica à crise.
“Sem uma presença apropriada da ONU para facilitar um papel mediador, a capacidade de entrar diretamente, apoiar e facilitar os compromissos entre as partes, de verificar e informar as oportunidades para o diálogo se veriam severamente limitadas”.

Novamente o chefe da organização pediu o fim da violência no país, assim como a aplicação do plano de paz.

“Na Síria, continuam acontecendo graves violações dos direitos humanos, como o uso de armamento pesado contra a população civil, sequestros, detenções arbitrárias, disparos a civis por franco-atiradores, execuções extrajudiciais e negação de assistência médica aos civis feridos”, afirmou.

Na reunião de quinta, a ONU também deverá revelar o substituto de Kofi Annan no cargo de enviado especial à Síria, após sua renúncia, no dia 2. O mais cotado para a posição é o diplomata argelino Ladhar Brahimi, ex-ministro e ganhador do prêmio Nobel da paz.

Fonte: Gazeta do Povo

 

 

 

Lakhdar Brahimi escolhido como enviado da ONU para Síria

NAÇÕES UNIDAS — O ex-chanceler argelino Lakhdar Brahimi será nomeado enviado de paz das Nações Unidas e da Liga Árabe para a Síria no lugar de Kofi Annan, afirmaram diplomatas nesta quinta-feira.

Um anúncio oficial da indicação de Brahimi, de 78 anos, é aguardado para o começo da próxima semana, afirmaram diplomatas, falando sob a condição do anonimato porque as negociações sobre a nomeação continuam.

Brahimi, ministro das Relações Exteriores de 1991 a 1993, foi enviado especial da ONU para o Afeganistão entre 1997 e 1999, assim como de 2001 a 2004, após a queda dos talibãs. Também representou as Nações Unidas no Iraque em 2003.

O dirigente argelino se aposentou em 2005, mas quatro anos depois aceitou dirigir um grupo de especialistas independentes para dar conselhos sobre segurança do pessoal das Nações Unidas no mundo.

Brahimi também faz parte do grupo “The Elders” (“Os Anciãos”), dedicado à mediação de conflitos, ao lado do herói contra o apartheid Nelson Mandela, do ex-presidente dos Estados Unidos Jimmy Carter e do ex-primeiro-ministro finlandês e Nobel da Paz Martti Ahtisaari.

Annan anunciou em 3 de agosto que deixará seu cargo de emissário para a Síria no final do mês, por “não ter recebido todo o apoio que a causa merecia”. “Há divisões na comunidade internacional”.

O ex-secretário-geral da ONU, designado enviado especial no dia 23 de fevereiro, desenhou um plano de paz de seis pontos, que incluía o fim dos combates e uma transição política, jamais aplicados.

A Missão da ONU na Síria (MISNUS), enviada em abril, suspendeu em meados de junho suas operações diante da virulência dos combates e reduziu à metade (150) seus efetivos.

Os rebeldes sírios anunciaram nesta quinta-feira sua saída do bastião de Salahedin, em Alepo – a segunda cidade da Síria – após violentos bombardeios das forças do regime.

Segundo a ONU, ao menos 20 mil pessoas perderam a vida desde o início da revolta popular contra o regime de Bashar al Assad, em março de 2007.

Fonte: AFP

 

 

 

Brasil condena intervenção externa na Síria

A crise na Síria pode se agravar por causa da possibilidade de uso de armas químicas nos confrontos entre integrantes do governo e da oposição. A representante do Brasil na Organização das Nações Unidas (ONU), Maria Luiza Viotti, alertou a comunidade internacional sobre esse risco e defendeu a busca de uma transição política negociada entre oposicionistas e governistas. A embaixadora descartou a possibilidade de intervenção externa naquele país.

“Com grande preocupação, tomamos nota das recentes declarações relacionadas a armas químicas, em contradição direta com normas internacionais estabelecidas há tempos e com os princípios contidos não apenas na Convenção sobre Armas Químicas, mas também no Protocolo de Genebra de 1925, do qual a Síria é parte desde 1968”, disse Maria Luiza.

A embaixadora defendeu a posição do Brasil em um debate aberto sobre o Oriente Médio, promovido pelo Conselho de Segurança da ONU. Para ela, um cessar-fogo imediato é essencial para iniciar uma nova fase na Síria. E é fundamental o governo e a oposição adotarem o plano de paz apresentado pelo enviado especial da ONU e da Liga Árabe à Síria, Kofi Annan, reforçou a diplomata brasileira.

A proposta reúne seis pontos que devem ser cumpridos tanto pelo governo de Bashar Al Assad quanto pela oposição. “Estes são tempos particularmente difíceis e desafiadores”, disse Maria Luiza. “Acompanhamos com angústia e com extrema inquietação a escalada da crise na Síria”, acrescentou a embaixadora, ressaltando que é imperativo um cessar-fogo urgente, o que requer apoio resoluto ao enviado especial Kofi Annan.

De acordo com a representante brasileira na ONU, a “única solução” para a crise é uma transição política liderada somente pelos sírios, pois uma intervenção externa poderia agravar a situação. “Todas as partes devem cumprir suas obrigações para deter a violência, mas a responsabilidade primordial na questão recai sobre o governo da Síria. Mas também repudiamos ataques terroristas contra a infraestrutura civil”, afirmou.

Na Síria, onde a crise se estende há 16 meses, mais de 16 mil pessoas morreram, inclusive crianças e mulheres. Manifestantes protestam contra o governo Assad e exigem sua saída. A oposição quer o fim do governo, mais abertura política e liberdade. Também há denúncias de violações de direitos humanos e repressão.

Fonte: Terra

 

 

 

Entenda o conflito na Síria

Poucos dias após o confronto armado entre as forças pró-governo e opositores ter chegado à capital do país, Damasco, um atentado suicida atingiu nesta quarta-feira o centro nervoso do regime de Bashar al-Assad, causando a morte de alguns dos principais nomes de sua cúpula de segurança.

Segundo a imprensa estatal síria, morreram no ataque o ministro da Defesa do país, general Dawoud Abdelah Rayiha, seu vice-ministro, general Assef Shawkat (cunhado de Assad), e o general sírio Hassan Turkmani, chefe do grupo governamental encarregado da crise, ex-ministro da Defesa e até então assistente do vice-presidente.

Outros membros importantes do governo sírio também teriam ficado “gravemente” feridos, como o ministro do Interior, Mohammad Ibrahim al-Shaar, e o o chefe do serviço de Inteligência, Hisham Ikhtiar.

Analistas já consideram a investida contra o alto escalão do governo como um prenúncio da derrocada do regime.

Veja abaixo um série de perguntas e respostas sobre o conflito na Síria.

Como os protestos começaram?

As manifestações contra o governo começaram na cidade de Deraa, no sul da Síria, em março de 2011, quando um grupo de pessoas se uniu para pedir a libertação de 14 estudantes de uma escola local.

Os alunos haviam sido presos e supostamente torturados por terem escrito no mural do colégio o conhecido slogan dos levantes revolucionários na Tunísia e no Egito: “As pessoas querem a queda do regime”.

O protesto reivindicava maior liberdade e democracia na Síria, mas não a renúncia do presidente Bashar al-Assad.

A manifestação, pacífica, foi brutalmente interrompida pelas forças do governo, que abriram fogo contra os opositores, matando quatro pessoas.

No dia seguinte, em meio ao funeral das vítimas, o governo sírio fez uma nova investida contra os moradores de Deraa, causando a morte de mais uma pessoa.

A reação desproporcional do governo acabou por impulsionar o protesto para além das fronteiras de Deera.

Cidades como Baniyas, Homs e Hama, além dos subúrbios de Damasco, juntaram-se a partir desse episódio aos protestos contra o regime.

Quantas pessoas já morreram? Qual a extensão dos estragos?

Segundo a ONU, mais de 9 mil pessoas foram mortas por forças de segurança e, pelo menos, outras 14 mil foram presas.

Já o governo estima o número de mortos em cerca de 4 mil – aproximadamente 2,5 civis e o restante integrantes das forças de segurança.

O que pedem os manifestantes? O que conseguiram até o momento?

Inicialmente, a principal reivindicação dos manifestantes era por um sistema político mais democrático e maior liberdade de expressão em um dos países mais repressivos do mundo árabe.

Contudo, ao passo em que as forças pró-governo abriram fogo contra protestos originalmente pacíficos, os opositores ao regime começaram a pedir a renúncia do presidente Bashar al-Assad.

Assad, por outro lado, afirmou que não deixaria o poder, porém, nas poucas declarações públicas que fez desde o início do conflito, o presidente sírio anunciou algumas concessões e prometeu reformas.

Como resultado, o estado de sítio, que durou 48 anos, foi abolido em abril de 2011 e uma nova Constituição, propondo eleições multipartidárias para além do partido dominante Baath, foi aprovada mediante um referendo em fevereiro deste ano.

O governo também alega que concedeu anistia a presos políticos. Na versão oficial, milhares foram libertados, mas cerca de 37 mil ainda permanecem trancafiados nas penitenciárias do país, segundo agências humanitárias.

Para ativista de oposição, as promessas de Assad têm pouco efeito diante da violenta repressão que continua a ser imposta pelo regime.

Existe uma oposição organizada?

As autoridades sírias sempre restringiram a atuação de partidos políticos de oposição e ativistas. Por essa razão, analistas avaliam que esses grupos tiveram um papel pouco preponderante na eclosão do levante popular.

Porém, à medida que as manifestações ganharam contornos nacionais, os grupos de oposição começaram a declarar seu apoio às reivindicações dos manifestantes e, em outubro do ano passado, anunciaram a formação de uma frente unida, o Conselho Nacional Sírio (CNS), composto, em sua maioria, pela comunidade de muçulmanos sunitas, há décadas perseguida por Assad.

O CNS é liderado pelo dissidente sírio Burhan Ghalioun, atualmente radicado em Paris, e pela Irmandade Muçulmana.

A principal frente de oposição síria, no entanto, não conta com o apoio dos cristãos e dos alauítas (minoria muçulmana à qual pertence Assad), que, juntos, correspondem a 10% da população síria e até agora têm se mantido leais ao governo.

A primazia do CNS, todavia, tem sido desafiada pelo Comitê de Coordenação Nacional (CCN), um bloco de oposição liderado por antigos dissidentes do regime, alguns dos quais são avessos à presença de islamitas no CNS.

A desunião frustou a comunidade internacional. Em meados de março deste ano, os grupos de oposição concordaram em colocar suas diferenças de lado e se comprometeram a atribuir ao CNS o papel “de interlocutor e representante formal da população síria”.

Ainda assim, a frente de oposição tem tido dificuldade de angariar o apoio do Exército Livre Sírio (ELS), que reivindicou a autoria do atentado contra a cúpula de segurança de Assad.

O ELS tem sede na Turquia e, equipados com melhor armamento, apesar de inferior ao do governo, tem lançado uma série de ataques contra as forças de segurança do regime.

O líder do ELS, Riyad al-Asaad, afirma que suas tropas somam 15 mil homens, ainda que estimativas oficiais deem conta de que o número não passa de 7 mil.

Quem apoia Assad?

Assad é apoiado majoritariamente pela minoria alauíta, da qual faz parte, e por cristãos, que temem perseguições religiosas.

A maioria dos opositores, entretanto, é de origem sunita, que já foi massacrada pelo regime no início dos anos 1980.

Qual a posição da comunidade internacional?

Especialistas apontam a Síria como um dos países mais importantes do Oriente Médio, uma vez que temem um “efeito-ricochete” em nações vizinhas devido à proximidade do governo de Assad com grupos como o Hezbollah, no Líbano, e o Hamas, nos territórios autônomos da Palestina.

O país também é um dos principais aliados do Irã, arqui-inimigo dos Estados Unidos, de Israel e inclusive da Arábia Saudita, o que pode levar qualquer conflito armado na região a uma crise de grandes proporções internacionais.

A Liga Árabe inicialmente permaneceu em silêncio diante do conflito, mas acabou impondo sanções econômicas à Síria em uma tentativa de forçar Assad a renunciar ao poder.

Em janeiro de 2012, a entidade divulgou um ambicioso plano de reforma política para a Síria, que propunha a substituição do presidente sírio pelo seu vice-presidente, o início das conversas com setores da oposição e, finalmente, a convocação de eleições multipartidárias supervisionadas por observadores internacionais.

A Liga pediu então apoio do Conselho de Segurança da ONU. Mas a resolução elaborada pelas Nações Unidas, que propunha, em última análise, uma intervenção militar, foi vetada pela China e pela Rússia, que possui laços militares e econômicos estreitos com a Síria.

Em 12 de março deste ano, após aproximadamente um mês de intensos bombardeios na cidade de Homs que deixaram mais de 700 mortos, ao norte de Damasco, a ONU e a Liga Árabe enviaram Kofi Annan, o ex-secretário-geral do organismo multilateral, ao país.

Annan propôs a Assad um plano de paz com seis pontos, que reivindicava, entre outras coisas, um cessar-fogo entre todas as partes e a libertação de presos. Assad, por sua vez, concordou com o plano no dia 27 do mesmo mês, apesar do ceticismo mundial. A violência, no entanto, não cessou.

Recentemente, o Brasil, que havia se posicionado contra a intervenção estrangeira, subiu o tom das críticas em comunicados divulgados pelo Itamaraty, condenando o massacre de civis.

Qual o papel da Rússia no conflito?

A Rússia tem ligações econômicas e militares estreitas com a Síria. Segundo o Instituto Internacional de Pesquisas para a Paz de Estocolmo (SIPRI, na sigla em inglês), sediado na Suécia, o país liderado por Vladimir Putin é o principal fornecedor de armas ao governo de Assad, seguido pelo Irã.

Mas, na análise do comentarista político Konstantin von Eggert, da rádio russa Kommersant, ao apoiar Damasco, o Kremlin diz ao mundo que nem a ONU ou qualquer outro grupo de países tem o direito de dizer quem pode ou não governar um Estado soberano.

Segundo o comentarista, desde a queda de Slobodan Milosevic, até então presidente da extinta Iugoslávia, em 2000, e especialmente depois da “Revolução Laranja” de 2004 na Ucrânia, a liderança russa é obcecada pela idéia de que os Estados Unidos e a União Europeia arquitetam a queda dos governos que, por algum motivo, julgam inconvenientes.

Eggert avalia que Putin e sua equipe temem que algo parecido possa também acontecer na Rússia.

Além disso, diz o comentarista, a crise líbia no ano passado teria reforçado a desconfiança russa sobre a retórica humanitária ocidental, que não passaria, segundo Moscou, de “camuflagem para a troca de regimes”.

Muitos dirigentes russos, incluindo Putin, consideram a abstenção do então presidente Medvedev na votação do Conselho de Segurança da ONU que autorizou uma zona de exclusão aérea sobre a Líbia um desastre.

A Al-Qaeda está envolvida no conflito?

Em entrevista à BBC, Nawaf al-Fares, ex-embaixador da Síria no Iraque e até agora o político mais importante ligado ao governo de Assad a ter desertado, disse que o regime colaborou com militantes sunitas da rede Al-Qaeda em uma série de atentados atribuídos às forças opositores ao governo sírio.

Fares também afirmou que a Síria possui um grande estoque de armas químicas de destruição em massa e que Assad não descartaria usá-las caso sua queda fosse prenunciada.

A alegação, no entanto, causa surpresa, uma vez que Assad é da minoria alauíta (um ramo do islamismo xiita). Mesmo assim, Fares afirmou que “há suficiente evidência na história de que muitos inimigos se unem quando há um interesse comum”.

“A Al-Qaeda está buscando espaço para atuação e novas fontes de apoio, ao passo que o regime quer encontrar formas de aterrorizar a população síria”, disse o ex-embaixador de Assad à BBC.

Fonte: UOL

 

 

 

Ministro de Defesa da Síria e cunhado de Assad morrem em ataque na capital do país

O ministro da Defesa da Síria, general Daoud Abdelah Rajha, e o cunhado do presidente Bashar al-Assad, Assef Shawkat, morreram nesta quarta-feira (18) em um atentado contra a sede da Segurança Nacional na capital do país, Damasco, segundo a televisão estatal síria. Quatro pessoas morreram no ataque, disse a rede Al Jazeera em seu blog de notícias.

Foto 5 de 200 – 12.jul.2012 – Em foto tirada na quarta-feira (11), manifestantes sírios cantam durante um protesto contra o governo na capital, Damasco Shaam News Network/AP

A TV al-Manar, supostamente do Herzbollah, afirma que o chefe da inteligência (segurança) síria, Hisham Bekhtyar, morreu no bombardeio. A Reuters, porém, diz que Bekhtyar sobreviveu ao ataque e passa por cirurgia. Segundo a TV síria, uma “bomba terrorista” foi detonada no prédio durante um encontro de ministros e autoridades de defesa, ferindo diversas pessoas. Ativistas em Damasco disseram por telefone que a Guarda Republicana da Síria isolou o hospital Shami, na capital, enquanto ambulâncias levavam vítimas do local da explosão.

Sem citar a fonte, a Reuters reportou uma declaração atribuída às forças armadas da Síria dizendo estarem “mais determinadas que nunca a confrontar todas as formas de terrorismo e cortar qualquer mão que ameace a segurança nacional”.

Autoria

A autoria do atentado foi reivindicada por dois grupos. Em sua página no Facebook, o grupo rebelde sírio Liwa Al-Islam assumiu responsabilidade pelo ataque, segundo a Reuters. A Reuters diz que o autor do atentado foi um homem-bomba suicida, que trabalhava como guarda-costas para pessoas do círculo restrito de Assad.

Já o Exército Livre Sírio (ELS), de oposição ao regime de Bashar al Assad, inicialmente culpou o governo pela explosão desta quarta-feira. Posteriormente, o grupo reivindicou a autoria do atentado.

Em entrevista à Agência Efe pela internet, o porta-voz do ELS na Síria, Sami Kurdi, explicou que o ataque foi realizado em coordenação com seguranças de alguns políticos que estavam no prédio, e afirmou que anteriormente seu grupo negou a autoria porque seus combatentes ainda estavam no local do atentado.

Em entrevista à agência Efe através da internet, o porta-voz do ELS dentro da Síria, coronel Qasem Saadedin, afirmou que começa a ser habitual “o regime cometer este tipo de atentado antes das reuniões do Conselho de Segurança ou da ONU”. Saadedin disse que “não faz parte da ética do Exército Livre Sírio” cometer este tipo de ataque.

ONU discute sanções

O Conselho de Segurança da Organização das Nações Unidas (ONU) discute nesta quarta-feira (18) em Nova York, nos EUA, duas propostas de resoluções referentes à Síria. Uma delas, apresentada pelos britânicos, recomenda a adoção de novas sanções ao governo sírio. Mas os russos apresentaram um texto sugerindo apenas a manutenção de observadores externos, no país, por mais três meses e a exclusão de restrições aos sírios.

Nas últimas reuniões, as autoridades da Rússia bloquearam duas resoluções definindo condenações ao governo do presidente sírio, Bashar Al Assad, devido aos massacres em Treimsa – nos quais mais de 150 civis foram mortos na semana passada pelas tropas e milícias que apoiam o governo. A Rússia, a China e o Irã são parceiros tradicionais da Síria. Exceto o Irã, esses países integram o grupo das nações com assentos permanentes no Conselho de Segurança da ONU.

Pelas normas do conselho, uma resolução deve receber o voto favorável de todos os integrantes permanentes no órgão, no caso a China, a França, a Rússia, o Reino Unido e os Estados Unidos. Se um deles se opuser à proposta, a medida não pode ser adotada. Também se manifestam nas discussões as autoridades dos dez países que ocupam assentos rotativos.

Até o final de 2012, estão nos asssentos provisórios do conselho: Azerbaijão, África do Sul, Colômbia, Marrocos, Togo, Alemanha, Paquistão, Guatemala e Portugal. Na tentativa de obter consenso entre os inegrantes do órgão em torno de uma solução para a crise na Síria, o emissário da ONU e da Liga Árabe ao país, Kofi Annan, conversou com vários líderes estrangeiros. Na Síria,  a onda de violência se estende há 16 meses e matou mais de 16 mil pessoas.

O primeiro-ministro da Turquia, Recep Tayyip Erdogan, que defende a destituição de Assad, reúne-se hoje com o presidente da Rússia, Vladimir Putin. “[Espero que a conversa] abra novos horizontes sobre a questão, e novas sanções contra a Síria surgirão na ordem do dia”, disse o vice-primeiro-ministro da Turquia, Bulent Arinc. (com agências)

  • Fonte: UOL

Ataque à aldeia síria teve como alvo desertores e ativistas, relata missão da ONU

Um comboio de observadores da ONU viaja na Síria. Foto: UNSMIS.

Observadores das Nações Unidas que retornaram à aldeia síria de Tremseh disseram no domingo (15) que, com base no que viram e nos relatos de testemunhas, o ataque ocorrido há três dias foi direcionado aos desertores do Exército e ativistas.

Funcionários da Missão de Supervisão da ONU na Síria (UNSMIS) verificaram mais de 50 casas queimadas ou destruídas, de acordo com um comunicado divulgado no mesmo dia. Eles notaram ainda que “poças de sangue e massa encefálica foram observados em uma série de casas.”

A investigação baseou-se em uma visita in loco e entrevista com 27 moradores da região, indicando com detalhes o ataque que começou nas primeiras horas do dia 12 de julho com o bombardeio da aldeia, seguido de operações terrestres.

“Segundo os entrevistados, o Exército estava realizando buscas casa a casa, perguntado por homens e por suas carteiras de identidade. Eles relataram que, depois de verificar a sua identificação, muitos foram mortos. Outros homens foram levados para fora da aldeia.”

“Com base na destruição observada na cidade e nos relatos de testemunhas, o ataque parece destinado a desertores do Exército e ativistas”, disse o comunicado. Observadores da ONU também confirmaram o uso direto e indireto de armas, incluindo artilharia, morteiros e armas de pequeno porte.

A Missão acrescentou que o número de vítimas ainda é incerto e que está fazendo a verificação completa.

 O ataque de quinta-feira (12), que teria resultado em mais de 200 mortes, foi condenado por funcionários da ONU, bem como pelo Enviado Especial Conjunto da ONU e da Liga dos Países Árabes para a Síria, Kofi Annan, que disse que o ataque violou o compromisso do Governo com o plano de paz de seis pontos.

Esse plano prevê o fim da violência, o acesso de agências humanitárias para prestar socorro aos necessitados, a libertação dos detidos, o início de um diálogo político inclusivo e o livre acesso ao país para a mídia internacional.

Annan visita Moscou a partir de hoje (16) para dois dias de conversações com o presidente russo, Vladimir Putin, e Ministro dos Negócios Estrangeiros, Sergey Lavrov, sobre a crise na Síria.

Enquanto isso, o Vice-Secretário-Geral, Jan Eliasson, reuniu-se ontem (15) com o Secretário-Geral da Liga dos Países Árabes, Nabil Elaraby, paralelamente à Cúpula da União Africana em Adis Abeba, Etiópia. Eles compartilharam suas fortes preocupações com a situação na Síria e expressaram apoio ao trabalho de Annan e do plano de seis pontos.

A ONU estima que mais de 10 mil pessoas, a maioria civis, foram mortas na Síria, com dezenas de milhares de deslocadas desde o início do levante contra o Presidente Bashar Al-Assad, que começou em março de 2011. Leia o relato completo dosobservadores da ONU clicando aqui.

Fonte: ONU Brasil

Após massacre na Síria, Europa vê ‘violação flagrante’ do plano Annan – notícias em Revolta Árabe

Comente agora

A União Europeia condenou “nos termos mais fortes” nesta sexta-feira (13) o massacre de Treimsa, na Síria, denunciando uma “violação flagrante” do plano de paz de Kofi Annan.

“Os responsáveis devem ser identificados para que possam responder por seus atos atrozes”, declarou em um comunicado a chefe da diplomacia europeia Catherine Ashton.

Cerca de 200 pessoas, em sua maioria civis, foram mortas na véspera na vila de Treimsa, segundo a oposição síria.

O Exército, leal ao regime do contestado presidente Bashar al Assad, disse que o ataque mirou “terroristas” e que não houve mortes de civis.

Asthon disse estar “profundamente chocada com as informações sobre este massacre brutal de pelo menos 200 homens, mulheres e crianças na cidade de Treimsa, na região de Hama”.

“A utilização por parte do regime de armamento pesado, incluindo artilharia e helicópteros, que foi confirmada pelos observadores da ONU, é uma violação das obrigações definidas pelo plano Annan”, acrescentou.

“Eu condeno esta atrocidade nos termos mais fortes possíveis”, prosseguiu a chefe da diplomacia europeia.

Ela pede que os observadores da ONU tenham “acesso imediato e irrestrito para verificarem” o que aconteceu em Treimsa. “Não pode haver impunidade para os autores destas violações dos direitos humanos”, conclui.

Annan afirmou, por sua vez, que o governo sírio “desacatou” as resoluções da ONU.

Fonte: G1

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