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Queda de avião da ONU na África teve só um sobrevivente

4/4/2011 15:36,  Por Rádio ONU

Desastre ocorreu no começo da tarde desta segunda-feira, quando aparelho tentava aterrissar no principal aeroporto de Kinshasa, capital da República Democrática do Congo.

Desastre na RD Congo

As Nações Unidas informaram que somente uma pessoa sobreviveu ao desastre com o avião da organização, na tarde desta segunda-feira em Kinshasa, capital da República Democrática do Congo.

O aparelho, com mais de 30 pessoas a bordo, caiu no momento da aterrissagem. O avião havia deixado a cidade de Kisangani, no nordeste da RD Congo a caminho da capital do país.

Rádio

A Rádio Okapi, gerenciada pela Missão das Nações Unidas no país africano, informou que havia 29 passageiros e quatro tripulantes na aeronave.

Segundo a mídia local, chovia muito no momento do acidente. Membros da Missão da ONU na RD Congo, Monusco, estão no local da tragédia para resgatar as vítimas.

A Rádio Okapi informou ainda que um inquérito deve ser instaurado para apurar as causas da queda do avião.

Fonte: Correio do Brasil http://correiodobrasil.com.br/queda-de-aviao-da-onu-na-africa-teve-so-um-sobrevivente/225918/

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TPI ouve primeiras testemunhas no massacre de Bogoro

Ainda não se pode concluir que o primeiro julgamento por assassinato perante o Tribunal Penal Internacional irá considerar Germain Katanga como culpado, dizem convictos os advogados do mais jovem suspeito que se senta no banco dos réus em Haia.

Nesta quinta-feira, 24 de março, os advogados começaram a defesa de Katanga, de 32 anos, cujo apelido é “Simba” (leão em kiswahili). Ele está sendo julgado pelo TPI desde novembro de 2009.

Há dois ex-milicianos congoleses no banco dos réus, ambos vestindo roupas elegantes. Germain Katanga e Mathieu Ngudjolo Chui. A promotoria alega que os dois homens orquestraram o massacre de mais de 200 civis em Bogoro, uma pequena cidade na província de Ituri, na República Democrática do Congo (RDC). Foram convocadas 26 testemunhas para provar o envolvimento dos dois suspeitos, entre eles ex-crianças soldado e mulheres que foram abusadas sexualmente.

Mas a defesa, liderada pelo inglês David Hooper, irá tentar desacreditar o depoimento deles, dizendo que a maioria deles é testemunha indireta. Ele irá convocar 23 testemunhas, incluindo o próprio Katanga, que nega ter cometido uma série de crimes de guerra e contra a humanidade em Ituri.

Ituri foi uma das áreas mais violentas na RDC. Desde 1999, mais de 100 mil civis foram assassinados em um conflito arraigado em rivalidades étnicas, principalmente entre os grupos étnicos Lendu e Hema. Na batalha pelas riquezas minerais de Ituri, muitos grupos armados estiveram envolvidos em massacres, tortura e estupros.

Thomas Lubanga Dvilo foi o primeiro a ser levado ao TPI em Haia. Ele está sendo julgado por usar crianças soldado na sua milícia Hema, a União dos Patriotas Congoleses.

Mas desde novembro de 2009, seus antigos rivais, Katanga e Ngudjolo também comparecem à mesma corte. Eles são os líderes da Frente Nacionalista e Integracionista e a Força de Resistência Patriótica, respectivamente, ambos lutando pelos Lendu. Eles são acusados de estarem envolvidos no massacre de Bogoro.

O massacre de Bogoro
Na manhã de 24 de fevereiro de 2003, suas milícias entraram na vila e atacaram civis Hema. “Eles usaram crianças como soldados, mataram mais de 200 civis em poucas horas, violentaram mulheres, meninas e idosas. Eles lotearam a vila inteira e transformaram as mulheres em escravas sexuais”, afirmou o promotor-chefe Luis Moreno Ocampo na abertura do processo, em 2009.

“Alguns foram assassinados a tiros enquanto dormiam, outros dilacerados com facões para poupar balas. Outros ainda foram queimados vivo após suas casas terem sido incendiadas”, disse ele.

“Sem dúvida, Bogoro foi atacada nesse dia e muitos excessos foram cometidos”, replicou o advogado de Katanga. De qualquer forma, disse David Hooper, “esses excessos não foram cometidos por Germain Katanga.”

Outras atrocidades
Organizações de direitos humanos disseram que Katanga está envolvido em outras atrocidades. Alegam que suas milícias atacaram o hospital Nyakunde em setembro de 2002, matando pelo menos 1200 Hema. Ele também é visto como o líder de seu grupo durante os ataques em Bunia e Komanda. Testemunhas oculares dizem que os homens de Katanga carregavam algumas mãos pela rua e que comeram os rins e corações de suas vítimas.

Essas alegações, no entanto, não estão inclusas na acusação do TPI. Restringindo a investigação às atrocidades cometidas em Bogoro os promotores conseguem investigar múltiplas acusações ao invés de espalhar poucos recursos em várias cenas de crime. Como resultado, os dois homens estão sendo acusados de assassinato, pelo uso de crianças-soldado, pilhagem, estupro e escravidão sexual.

Primeiro julgamento por homicídio do TPI
Katanga foi preso na RDC após um ataque que matou nove capacetes azuis das Nações Unidas em 2004. Ele foi preso por ser acusado de crimes de guerra, mas nunca compareceu a um tribunal em Kinshasa. Ao invés disso o TPI o trouxe para Haia em 2007, quando ele tentou fazer com que o caso retornasse à RDC.

Ngudjolo garantiu uma anistia geral via RDC em troca da desmobilização de suas tropas, em 2006. Dois anos depois, o TPI o acusou e o transferiu para ser julgado em Haia.

O julgamento de Katanga é o primeiro por homicídio no TPI – já que Lubanga só responde por utilizar crianças-soldado – e o último sobre Ituri. Ocampo disse, em julho de 2009, que a corte não iria mais promover investigações na província e agora está centrando forças nas atrocidades cometidas na região de Kivu.

Outros casos no Congo
Até agora, a RDC é o terreno de caça mais produtivo do TPI. Há quatro congoleses presos na Holanda.

O terceiro julgamento dessa corte envolve o ex-vice-presidente, Jean-Pierre Bemba Gombo, cujo grupo rebelde é acusado de ter cometido atrocidades na República Centro-Africana. Ainda que o presidente Joseph Kabila tenha convidado Ocampo a investigar os crimes no seu país, Kinshasa ainda recusa prender o mais procurado fugitivo do TPI, Bosco Ntaganda. Ele foi inclusive promovido a general no exército congolês.

Outro suspeito – Calixte Mbarushimana, de Ruanda – deve ser julgado esse ano pro crimes cometidos por sua milícia, FDLR, – um grupo de ex-genocidas ruandeses – no leste do Congo. Ele foi preso na França no ano passado e trazido para Haia em janeiro.

http://www.rnw.nl/portugues/article/tpi-ouve-primeiras-testemunhas-no-massacre-de-bogoro

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