Arquivos de Categoria: Iraque

Missão da ONU no Iraque condena violência e pede agilidade para processo eleitoral

Representante Especial do Secretário-Geral para o Iraque, Martin Kobler. UN Photo/Mark Garten

O chefe da Missão de Assistência das Nações Unidas para o Iraque (UNAMI), Martin Kobler, instou hoje (10) todas as forças políticas do parlamento do país a garantir  um amplo debate prévio às eleições de 2013 e 2014, acelerando a escolha dos nomes que vão compor a comissão eleitoral do país. O pedido ocorre um dia após a Missão  condenar uma série de ataques que mataram mais de 50 pessoas e feriram cerca de 200, em 11 cidades do país, no domingo (9).

Os ataques supostamente tinham como alvo as forças de segurança iraquianas, recrutas da polícia e mercados e envolveram tanto o uso de bombas como ataques de pistoleiros. ”Condeno veementemente os ataques hediondos e a violência sem sentido que, mais uma vez, tiraram dezenas de vidas”, afirmou o representante da ONU, em um comunicado à imprensa. ”Meus pensamentos estão com todos aqueles que sofreram a perda de um ente querido e desejo uma rápida recuperação para aqueles que ficaram feridos”.

Kobler recomendou hoje em reunião com o Presidente do Conselho de Representantes, Osama Al-Nujaifi, que se agilize um acordo sobre a composição da comissão eleitoral do país. Um impasse de longa data entre os blocos políticos iraquiano está atrasando a seleção dos nove membros para o Conselho de Comissários do órgão eleitoral.

“As próximas eleições iraquianas – previstas para início de 2013 e 2014 – só poderão ser realizadas em tempo se a nova IHEC [Conselho de Comissários da Alta Comissão Independente Eleitoral] for selecionada sem mais delongas. Peço às partes que garantam a integridade, a competência e a independência como os principais critérios para a escolha do Conselho de Comissários, de acordo com a lei iraquiana “, acrescentou, lembrando que os nomes devem ser escolhidos de uma lista de 60 candidatos e que, de acordo com a Lei IHEC, o Conselho de Representantes deve “dar a devida consideração a representação das mulheres”.

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Carro-bomba explode no Paquistão junto a escritórios da ONU

Um carro-bomba explodiu, esta segunda-feira, em Peshawar, no Paquistão, junto a escritórios da ONU naquela cidade. Um dos alvos do atentado seria um caro diplomático dos EUA.

As informações sobre vítimas são contraditórias, existindo a indicação, já desmentida pela embaixada norte-mericana, de que dois cidadãos norte-americanos teriam sido mortos no ataque.

O ministro da Informação local, Mian Iftikhar Hussain, tinha indicado, segundo a agência noticiosa AFP, que dois norte-americanos tinham morrido no atentado ocorrido com um carro armadilhado e que tinha alegadamente como alvo um veículo do consulado dos EUA.

Pelo menos mais duas pessoas terão sido feridas no ataque.

 

Fonte: JN

 

 

 

ONU condena onda de ataques no Iraque e pede condenação dos responsáveis

 (IRIN)

A Missão de Assistência da ONU para o Iraque (UNAMI) condenou hoje (23) a onda de ataques que começou ontem no país do Oriente Médio, matando dezenas e ferindo mais de 200 pessoas em poucas horas. “Condeno veementemente os ataques hediondos, a violência sem sentidoe derramamento de sangue em todo o país”, disse o Vice-Representante Especial do Secretário-General, Gyorgy Busztin.

“A escala e a brutalidade dos ataques são terríveis – especialmente agora, quando os iraquianos não estão apenas celebrando o mês sagrado do Ramadã, com suas mensagens de paz e reconciliação, mas também estão recebendo milhares de pessoas voltando ao país após fugir da violência na Síria”, acrescentou.

De acordo com relatos da mídia, uma sequência coordenada de atentados a bomba e tiros em 13 cidades, incluindo Bagdá, a capital, matou pelo menos 90 pessoas e feriu mais de 200, tendo como alvo as forças de segurança e funcionários do Governo.

“Os criminosos que perpetraram esses ataques devem ser responsabilizados”, disse Busztin. Ele também enviou suas condolências às famílias daqueles que foram mortos e desejou uma rápida recuperação para os feridos.

 

 

 

Entrevista de um brasileiro que se tornou Marine e combateu no Iraque



O brasileiro Fernando Rodrigues desejava servir em alguma missão de paz da ONU ou em um “combate contra inimigos da democracia”. Para tanto, tentouservir as Forças Armadas brasileiras ou entrar na Academia Militar das Agulhas Negras. Não conseguiu. Por uma série de circunstâncias, foi aos EUA, tornou-se marine e acabou no meio do conflito no Iraque. Nesta entrevista ao UOL Notícias, o brasileiro conta como se tornou um soldado dos EUA, o duro treinamento para ser um marine e a decisão de entrar na “briga” contra o terror.

UOL Notícias – Você sempre quis ser militar?
Fernando Rodrigues –
 Não, essa vontade começou pequena, e passou a crescer exponencialmente com o passar do tempo e depois de certas portas que foram se fechando. Idealista, queria dar minha contribuição servindo as Forças Armadas em missões de paz a serviço da ONU ou, na face mais escura da moeda, em combate contra inimigos da democracia, liberdade e da própria evolução da civilização e dos direitos humanos. A princípio acomodei essa vontade quando prestei vestibular de Administração de Empresas (procurando seguir os passos de meu pai, que é empresário) no período noturno, para que pudesse servir no Núcleo de Preparação de Oficiais da Reserva (NPOR), de Curitiba (PR). Quando algumas portas foram se fechando, outras foram se abrindo e segui um caminho tão bizarro que me levou aos Estados Unidos e depois ao Oriente Médio. Até hoje me surpreende para onde essa estrada me levou e o quanto me ensinou.

UOL Notícias – Você foi impedido de servir as Forças Armadas brasileiras e também não conseguiu entrar na Academia Militar das Agulhas Negras. O que aconteceu?
Fernando Rodrigues –
 Na época de alistamento, imaginava que voluntários teriam preferência na época de seleção para o serviço militar no Brasil. Embora eu estivesse em plena forma, era atleta, (como hobby era competidor de jiu-jitsu), fui dispensado por excesso de contingente enquanto outros foram aleatoriamente selecionados para as poucas vagas. Achei extremamente mal organizado e não pude servir o NPOR de Curitiba.
A vontade de servir passou a crescer e pensei em prestar concurso para a Academia Militar das Agulhas Negras (em Resende, RJ). O site de internet da AMAN estava desatualizado (a data do concurso seguinte incluía nascidos até 1980, mas na verdade esta data era a do ano passado, portanto, o próximo concurso era apenas para os nascidos até 1981). Não me dei conta do erro e procurei cursinhos para me preparar para a prova da Escola Preparatória de Cadetes do Exército (EsPCEx, que era a porta e pré-requisito para admissão na AMAN). No dia da inscrição, fui alertado por um funcionário do correio que estava acima da idade por um mês e quatro dias (nasci no dia 26 de novembro de 1980). Foi uma grande decepção, mas Deus com certeza escreve certo com linhas tortas… Gosto de acreditar que Ele apenas tinha um melhor plano para meu desenvolvimento nessa vida.

UOL Notícias – Quando você foi para os Estados Unidos? Qual o motivo?
Fernando Rodrigues –
 Em meados de 2001, enquanto planejava minhas próximas alternativas, tranquei a faculdade noturna na UNICENP. Depois de pesquisas na internet, descobri uma academia militar nos Estados Unidos chamada “The Citadel” (A Fortaleza) que era uma universidade militar que permitia alunos estrangeiros de países amigos aos EUA com visto de estudante. Pensei que seria uma boa experiência que iria ao menos me expor à disciplina e ao mundo militar com que sonhava participar. Isso tudo somado ao fato de receber diploma universitário era unir o útil ao agradável na minha perspectiva.
“As mortes de dois amigos, aliadas ao fanatismo da Al Qaeda e ‘jihadistas’, me mostrou a ameaça desses grupos à civilização, à liberdade e aos direitos humanos”


UOL Notícias – Quando decidiu entrar para o corpo dos fuzileiros navais dos EUA?
Fernando Rodrigues –
 O plano original era para que eu concluísse o currículo acadêmico da Citadel (bacharelado em Ciências Políticas) e voltasse ao Brasil formado, com a experiência da academia militar estando de bom tamanho. No entanto, depois dos atentados de 11 de setembro, 2001, alguns de meus colegas que eram reservistas foram chamados pelas suas respectivas unidades e alguns foram ao Afeganistão. Depois disso, em 2003, alguns outros colegas foram ao Iraque participando da invasão e da Operation Iraqi Freedom (OIF). Foi lá que perdi dois colegas de classe, um morto em ação por um terrorista sniper e outro que foi morto quando seu veículo blindado LAV (Light Armored Vehicle) sofreu uma emboscada por terroristas recebendo 11 foguetes de RPG-7 (arma soviética antitanque).
As mortes desses dois amigos, aliadas ao fanatismo da Al Qaeda e “jihadistas”, me mostrou a ameaça desses grupos à civilização, à liberdade e aos direitos humanos (principalmente das mulheres, que são subjugadas e tratadas como animais dentro da interpretação radical islâmica destes grupos). Decidi então que a briga era minha também, de imediato saí da academia militar e comecei o processo de alistamento nos marines.

UOL Notícias – Quais são os pré-requisitos para se candidatar ao corpo dos fuzileiros navais?
Fernando Rodrigues –
 Na época, tinha recebido o visto de residência permanente (conhecido como “green card”) devido ao meu casamento com minha mulher, a americana Laurie. Esse documento é o pré-requisito para alistamento nas forças armadas americanas, somado a uma “high-school degree a” (diploma equivalente ao ensino médio brasileiro). Para que eu fosse oficial, eu tinha que ter a cidania americana (nas forças armadas são precisos dois anos para se obter o “green card”; é mais rápido que na vida civil, que leva de 4 a 5 anos) e diploma universitário (Ciências Políticas).
Hoje em dia entrar nas forças armadas americanas não é difícil, é só ter a documentação necessária e ser atleta e “casca grossa”. O difícil são as etapas a ser conquistadas e ser um bom marine, aí que está o desafio. Um misto de paciência de monge tibetano, humildade de lixeiro, honra de um cavaleiro da távola redonda e, quando necessário, a força e agressividade de um leão mal humorado. Aí sim você será bem lembrado pelos que serviram ao seu lado no Marine Infantry (Infantaria dos Marines, a força de combate)…
‘O difícil é ser um bom marine, aí que está o desafio. É preciso um misto de paciência de monge tibetano, humildade de lixeiro, honra de um cavaleiro da távola redonda e, quando necessário, a força e agressividade de um leão mal humorado’

UOL Notícias – Como foi a seleção para o corpo dos fuzileiros navais?
Fernando Rodrigues –
 A seleção é algo trivial e sem grandes frescuras. São testes físicos, intelectuais e psicológicos. Após toda a burocracia e testes, assinei o contrato de serviço que é irrevogável, o serviço militar dali em diante não é opcional e você não pode simplesmente se demitir ou não mais querer pertencer. As forças armadas são voluntárias, mas a partir do momento que o contrato está assinado você está servindo o governo americano até seu desligamento. Assinei meu contrato com cláusula exclusiva garantindo que eu serviria como “infantry option” (a infantaria, a “ponta de lança” do corpo de fuzileiros navais).

UOL Notícias – Como é o treinamento para se tornar um marine? Quais foram as etapas mais difícieis e exaustivas para se tornar um marine?
Fernando Rodrigues –
 Os marines são 3 em 1 (terra, mar e ar) numa força menor e expedicionária para pronto emprego. Existe uma amistosa competição entre os ramos das forças armadas para ganhar mais prestígio e verbas do Departamento da Defesa dos Estados Unidos. As unidades mais relevantes, obviamente, recebem mais respaldo e emprego em missões especiais. Se tornar um marine não é tão difícil. Há dois centros de treinamento de recrutas nos Estados Unidos, um em San Diego na Califórnia e outro em Parris Island, Carolina do Norte. Este é o mais notório pântano que há muito tempo treina marines. Em 13 semanas na umidade infestada de insetos dessa base, endurece até os mais teimosos frouxos da sociedade americana.
É uma gritaria sem fim, 24 horas por dia você é submetido a um mundo onde você não é um indivíduo e sua vontade pessoal é irrelevante. Mais importante, você não sobreviverá se continuar a se portar como um indivíduo. Portanto, a dificuldade está em se aliar a um grupo de estranhos no seu pelotão dos mais variados cantos e prevalecer nesse ambiente. Meu pelotão se formou em Parris Island como o pelotão de honra. Foi um verão quente, confuso e sinistro.
“Durante o treinamento para ser um marine, é uma gritaria sem fim, 24 horas por dia você é submetido a um mundo onde você não é um indivíduo e sua vontade pessoal é irrelevante.Mais importante, você não sobreviverá se continuar a se portar como um indivíduo”

UOL Notícias – Após se tornar um marine, quais atividades fez antes de ir para o Iraque?
Fernando Rodrigues –
 Fomos ao Iraque duas vezes, sete meses cada (fevereiro de 2007 ao final de setembro 2007 e a segunda campanha foi de julho 2008 à fevereiro 2009). Entre esses períodos era um misto de treinamento intenso e frenético, e de tédio e espera ao dia de embarque ao teatro de operações. O pacote de treinamento para uma campanha de combate no Iraque inclui treinamentos de combate urbano e contra-insurgência em Forte Bragg (base militar), cinco meses de treinamentos diversos e desenvolvimento de táticas operacionais padrão em Camp Lejeune, Carolina do Norte, e o mais desgastante: 40 dias de treinamento no deserto do Mojave em 29 Palms, Califórnia. É um ritmo alucinante e desgastante, especialmente para marines casados e com filhos.
Eu aceitaria melhor se a queda de Saddam Hussein fosse a justificativa dos EUA para a Guerra.

As tropas dos EUA começam a retirada das cidades iraquianas a partir desta terça-feira (30). Para o brasileiro Fernando Rodrigues, que participou de operações militares no Iraque como um marine a serviço dos EUA, a situação está sob controle. Mas “dependerá do povo iraquiano se manter unido e fortalecer seu governo e forças de segurança para que o país tenha as condições básicas e estabilidade para prosperar”, diz. Nesta entrevista ao UOL Notícias, o brasileiro fala sobre a atual situação do país, George W. Bush, Barack Obama, democracia e “radical” Irã.

UOL Notícias – Você foi a favor da guerra do Iraque? O que a sua experiência no Iraque mudou em relação à sua visão do governo George W. Bush?
Fernando Rodrigues –
 Antes de responder, devo dizer que embora tenha estudado Ciências Políticas, Política Internacional e Assuntos Militares, e servido como um marine, acredito ser extremamente ousado e leviano opinar sobre assuntos tão complexos como este no meu nível de conhecimento. O cidadão comum, mesmo quando mal informado e ignorante opina e se diz contra ou a favor sem qualquer estudo sobre o assunto, apenas levando em consideração o que se ouviu aqui ou ali… Tendo dito isto, na minha ignorante opinião, que no momento não pode ser comparado à decisões de presidentes, secretários de Estado e Defesa, experts em defesa, contra-insurgência e conflitos armados, digo ter tido minhas reservas sobre os conflitos no Iraque. Durante a operação Tempestade no Deserto, de 1991, o Iraque foi expulso do Kuait, e o apoio do mundo aos EUA estava consolidado. Saddam Hussein pilhou, roubou e derramou milhares de toneladas de petróleo do Golfo Pérsico por maldade e por ser um mau perdedor.

Por motivos de logística, financeiros e estratégicos, o então presidente George Bush decidiu não ir atrás de Saddam Hussein. Ele sabia que também ganharia o presente de grego de reconstruir toda a bagunça que Saddam e seus filhos causaram durante décadas de ditadura brutal. Isso, porém, apenas adiou o inevitável. Se a entrada dos Estados Unidos na guerra para derrubar Saddam Hussein fosse descrita como tal, e não atrelada ao perigo de armar terroristas e simpatizantes com armas de destruição em massa, eu teria aceitado melhor.

Esses ditadores são uma relíquia macabra de um mundo que já se extinguiu, e é incrível que pessoas como Kim Jong Il, ou outros indivíduos controversos como o presidente do Irã Mahmoud Ahmadinejad estejam em cargos de poder, comandando a vida de tantos seres humanos… Por que continuam no poder, mesmo sendo tão negativos para seus povos, para a paz mundial e a evolução e união da raça humana no globo? Agora os povos têm culpa de serem coniventes com as classes que mantêm esses indivíduos no poder, e se se unissem seriam muito mais fácil as mudanças de regime.

A prova de quão longa foi essa guerra do Iraque mostra que alguns povos não estão prontos para a liberdade, a democracia, e apenas após longo período de violência, reconfiguração de prioridades, valores e união, apenas após isso tudo que um país se ergue dos escombros e prospera. São decisões difíceis e com impactos obviamente globais. Os Estados Unidos gastaram muitos bilhões de dólares em ajuda ao Iraque e minha segunda e última campanha lá, quando fiquei sete meses sem dar um tiro ou achar sequer uma bomba, isto prova que a guerra está no fim.
‘Se a entrada dos Estados Unidos na guerra para derrubar Saddam Hussein fosse descrita como tal, e não atrelada ao perigo de armar terroristas e simpatizantes com armas de destruição em massa, eu teria aceitado melhor’

Se o Iraque vai prosperar e manter os níveis de segurança e desenvolvimento alcançado a tanto custo, com vidas perdidas de ambos os lados, isto vai depender deles e a história vai julgar se foi certo ou errado em seu saldo final ao estudar o governo do presidente George W. Bush. Tenho a consciência limpa de que contribuí positivamente com muito trabalho e suor para ajudar esse povo nas responsabilidades que me foram confiadas.

UOL Notícias – Você votou para presidente dos EUA? O que acha das posições do presidente Barack Obama em relação ao Iraque?
Fernando Rodrigues –
 Quando recebi a cidadania americana no dia 3 de julho de 2008, estava prestes a embarcar para a segunda campanha no Iraque, não tive tempo de me registrar no Estado da Flórida para votar no Iraque com um “Absentee Ballot” (envelope lacrado do governo americano para voto de tropas em campanha), portanto, não pude participar da última votação presidencial. Mas se pudesse votar, embora gostasse do senador John McCain, teria votado no atual presidente Barack Obama, pois acredito que ele é a melhor opção para os desafios e situações do momento.
As posições do presidente Obama no Iraque são baseadas nas pesquisas e entrevistas pessoais com generais, gabinetes especializados na situação em solo e cuidadosamente estudadas, depois implementadas quando decidido ser o mais razoável plano de ação. Não é o esforço de um homem só, embora muitos indivíduos (como o general David Petraeus, que comandou o teatro de operações e foi autor do “Surge”, o aumento de tropas no Iraque, que aniquilou a insurgência terrorista) tenham contribuído mais que outros. A situação daqui por diante dependerá de quanto os iraquianos querem vencer, e ver seu país prosperar. Não se pode forçar um país a evoluir.
‘A prova de quão longa foi essa guerra do Iraque mostra que alguns povos não estão prontos para a liberdade, a democracia, e apenas após longo período de violência, reconfiguração de prioridades, valores e união, apenas após isso tudo que um país se ergue dos escombros e prospera’

UOL Notícias – Os EUA começam a retirar suas tropas das cidades iraquianas a partir do próximo dia 30 de junho. Qual a situação do Iraque hoje? O país é capaz de ter a situação sob controle sem a ajuda estrangeira?
Fernando Rodrigues –
 Na minha última campanha vi uma polícia iraquiana mais competente, um exército mais profissional, envolvido e tenaz no objetivo de erguer seu país. Desde 2008 até nosso retorno em fevereiro de 2009 desmontamos todas as bases avançadas da nossa área de operações e mudávamos para outra visando a data limite (em acordo com o governo iraquiano) para que todas as tropas americanas estivessem fora das cidades até junho de 2009. A partir dali, se dará a retirada de todo o restante de equipamento, pessoal e tudo que foi instalado desde 2003 que o governo iraquiano não queria utilizar (bases e infraestrutura). É um esforço homérico e uma logística monstruosa.

Motivar os subordinados nessas obras também foi um desafio, pois todos os marines novatos e jovens queriam fazer seu trabalho, participar de ações de combate ou humanitárias, não ficar desconstruindo paredes, esvaziando sacos de areia e recolhendo arame farpado e barricadas por meses no verão iraquiano e depois no inverno. Mas isso tudo mostra que a guerra estava sem dúvida no fim, e que a ausência de ação inimiga era a vitória silenciosa do povo iraquiano, com auxílio dos Estados Unidos. Repito: dependerá do povo iraquiano se manter unido e fortalecer seu governo e forças de segurança para que o país tenha as condições básicas e estabilidade para prosperar.

UOL Notícias – Gostaria de servir os EUA em outra região em conflito? Qual?
Fernando Rodrigues –
 Fiquei ao todo 14 meses no Iraque. Com a guerra do Iraque e a do Afeganistão chegando ao fim, sinto que fiz minha parte. Se tivesse optado por seguir carreira como um “marine officer” teria estendido meu serviço por mais 4 anos. Decidi, entretanto, que seria mais útil à minha família e à sociedade como empresário. Tenho a segurança que os marines sobre meu comando foram bem treinados e passamos tudo que sabíamos para a nova geração, que irá para o Afeganistão em 2010. Essa guerra está também chegando ao fim e não vejo grandes perigos para meus “irmãos-de-armas”. Mantemos contato e com certeza enviarei pacotes motivantes quando lá estiverem (guloseimas, revistas, livros, filmes, etc) para os momentos entediantes. Se os Estados Unidos entrassem em algum grande conflito, em que inocentes estivessem morrendo aos milhares, com algum país radical como o Irã, talvez então cogitasse participar, mas tenho a certeza de que os marines não estarão desfalcados sem mim, afinal estão indo bem desde 1775. Missão cumprida e viramos a página do livro da vida…

Fonte :UOL

ONU cobra dos EUA explicações sobre operações internacionais

Os Estados Unidos devem explicar quais são os critérios que amparam as mortes registradas em suas operações internacionais, como no Afeganistão, no Iraque, no Paquistão, na Somália e no Iêmen, cobrou o relator da ONU sobre execuções extrajudiciais, Christof Heyns. Em um relatório apresentado nesta terça-feira diante do Conselho de Direitos Humanos da ONU, que está reunido em Genebra, o analista lembra que as forças americanas aumentaram o número de incursões e ataques aéreos com aviões não pilotados (“drones”) para atacar pessoas específicas.

O pedido de Heyns reitera o mesmo que efetuado por seu antecessor no cargo, o qual pedia que o governo americano especificasse seus critérios na hora de decidir “matar ou capturar” um indivíduo, assim como se as autoridades do país envolvido possuíam consentimento. O objetivo do relatório de Heyns é avaliar se a Administração de Barack Obama cumpriu ou não as recomendações realizadas pelo antigo relator, que fez uma visita aos Estados Unidos com esse objetivo ainda em 2008.

O atual relator, de nacionalidade sul-africana, critica os EUA em sua avaliação pela sua “falta de transparência” nessa questão, o que obrigou as organizações civis a realizar grandes esforços para investigar os ataques com “drones”. Apesar dos resultados dessa investigação serem diferentes, todos coincidem no aumento de sua utilização nos últimos três anos.

Apesar dos ataques serem dirigidos a supostos líderes ou integrantes ativos de grupos terroristas em um contexto de conflito armado, o relator cita que também há vítimas civis que morrem nestes ataques, principalmente em regiões onde a situação de conflito “não está clara”. “Desde 2004, cerca de 300 ataques com ”drones” já foram realizados no Paquistão, sendo que o número de mortos pode se quadruplicar. Entre as vítimas, aproximadamente 130 poderiam ser civis”, indica o analista da ONU em seu relatório.

O documento acrescenta que no Paquistão, Somália e Iêmen não se estabeleceu um sistema de compensação para as vítimas ou suas famílias, como se fez no Iraque e no Paquistão. “O governo (dos EUA) deve esclarecer que procedimentos são usados para garantir que estes assassinatos seletivos seguem as normas do direito humanitário internacional e dos direitos humanos, assim como as medidas que podem permitir uma pesquisa pública, independente e efetiva em casos de violação”, ressalta Heyns.

Além disso, Heyns também faz questão de declarar sua preocupação pelo precedente que esta prática pode gerar, já que a mesma poderia permitir que qualquer Governo, sob o pretexto de luta contra o terrorismo, possa assassinar um indivíduo em outro país se considerar que o alvo representa uma ameaça para sua segurança. Por outra parte, o relator também ressalta certos avanços e o cumprimento de algumas das recomendações formuladas por seu antecessor para solucionar situações como a morte de imigrantes detidos.

No entanto, Heyns considera que esse tema continua sendo preocupante ao lembrar que muitas mortes já foram registradas em situações que “a prisão não era necessária e nem apropriada”. Apesar dos avanços em relação aos “drones”, o relator explicou que as autoridades americanas ainda precisam esclarecer muitos temas relacionados à aplicação da pena de morte, já que os EUA possuem 3.251 presos no chamado “corredor da morte”, e ao persistente problema das “disparidades raciais” em sua imposição. EFE

Fonte: Terra

ONU prorroga por um ano mandato da missão de assistência ao Iraque

O Conselho de Segurança das Nações Unidas prolongou por um ano o mandato da Missão de Assistência da ONU ao Iraque (Unami).

A resolução foi adotada pela totalidade dos 15 membros do organismo.

O mandato da Unami, fundada em 2003 dentro do programa "Petróleo por alimentos", expira em 31 de julho próximo. No Iraque, a ONU não dispõe de capacetes azuis e sim simplesmente de especialistas.

Segundo o acordo de segurança assinado entre Bagdá e Washington, os últimos 47.000 soldados dos Estados Unidos presentes em território iraquiano devem abandonar o país antes do final deste ano.

Fonte: Jornal do Brasil

http://www.jb.com.br/internacional/noticias/2011/07/28/onu-prorroga-por-um-ano-mandato-da-missao-de-assistencia-ao-iraque/

Missão de paz, ser ou não ser, eis a questão!

No mesmo informativo da ONU, que recebo quase que diariamente, ontem estavam duas reportagens sobre as missões de paz, cada uma com um foco diferente.

A primeira tratava sobre o questionamento crescente da necessidade de se implantar uma missão de paz no Iraque, tendo em vista o pouco sucesso obtido na estabilização política e de segurança pelos Estados Unidos após a invasão daquele país (AP Interview: Odierno eyes Un forces for Iraq. By Lara Jakes. Associate Press).

A segunda tratava do pouco sucesso obtido pela Missão de Paz criada  para o Congo (UN Mission in Congo – MONUC), que hoje recebe o nome de MONUSC (UN Mission for Stabilization of Congo). A Missão para o Congo recebe críticas das mais diversas áreas, especialmente na área da segurança que deveria ser provida pela missão: a violência sexual contra a mulher. Entretanto, há um número alarmante de denúncias de violência sexual cometidas pelos próprios peacekeepers. (The UN´s Congo disaster. By Annie Rashidi-Mulumba. The daily beast).

A dúvida da missão de paz ser ou não a melhor opção para estabelecer a segurança e os direitos humanos fica cada vez mais difícil de responder!

Guerra no Iraque

Eu tirei esta foto em frente ao Parlamento Britânico em Londres no dia em que fui assistir uma sessão na Casa dos Comuns e na Casa dos Lordes.

Enquanto eu estive em Londres aproveitei para ler os jornais todos os dias e todos os dias havia alguma notícia sobre as Guerras no Iraque e no Afeganistão. Diferente do que vemos no Brasil muito se fala sobre essas duas guerras no Reino Unido, afinal praticamente todos os dias há a triste notícia da baixa de algum soldado em campo. Segundo o site http://www.icasualties.org o Reino Unido perdeu 179 soldados na Guerra do Iraque e 278 soldados na Guerra do Afeganistão.

Entretanto, nada se compara ao número de civis que foram mortos durante a ofensiva no Iraque, que segundo o site www.usliberals.about.com, pode chegar a 600 mil quando são noticiados apenas de 50 a 100 mil.

Coincidentemente ou não, no mesmo dia a pauta de discussão da Casa dos Comuns estava, principalmente, voltada as novas medidas contra o terrorismo a serem adotadas em território britânico.

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