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Com redução de efetivo, Conselho de Segurança renova mandato de missão da ONU no Haiti por um ano (opcional)

O Conselho de Segurança da ONU estendeu ontem (12) o mandato da missão de paz das Nações Unidas no Haiti por mais um ano, reduzindo seu contingente militar e mudando o foco em sua responsabilidade pela segurança, que está sendo entregue gradualmente à Polícia Nacional.

Os 15 membros do Conselho aceitaram de modo unânime, por meio da resolução 2070, estender a Missão das Nações Unidas para a Estabilização no Haiti (MINUSTAH) até 15 de outubro de 2013. O objetivo é continuar ajudando na restauração de um ambiente seguro e estável, promover o processo político, fortalecer as instituições do Governo e a estrutura de Estado de Direito do Haiti, como solicitado pelo Governo, bem como promover e proteger os direitos humanos.

Seguindo uma recomendação de um relatório do Secretário-Geral da ONU, Ban Ki-moon, apresentado ao órgão no dia 3 deste mês, o número de militares da MINUSTAH será reduzido dos atuais 7.340 para 6.270, e o de policiais dos atuais 3.241 para 2.601. O prazo para a redução, que segundo o Conselho deve ser “equilibrada”, é junho de 2013. (clique aqui para acessar o relatório)

Atualmente, o Brasil – que é possui o maior efetivo na Missão – contribui com 1.899 capacetes azuis, sendo três policiais em missão individual – o contingente militar inclui 21 mulheres. Desde o início da Missão, em 2004, o comando militar de todas as tropas que compõem a MINUSTAH, provenientes de 19 países, é exercido por generais brasileiros. Pelo menos 13 mil militares brasileiros já serviram no Haiti.

O Secretário-Geral classificou a situação atual de segurança como “relativamente estável”, com alguns casos esporádicos de agitação civil. No entanto, houve aumentos na taxa de homicídios: entre março e julho de 2012, foi constatada uma média de 99 assassinatos mensais, maior que a de 2011, de 75. Ban avalia que o Haiti deve concentrar-se no fortalecimento de suas instituições de Estado de Direito, incluindo a Polícia Nacional e o Conselho Eleitoral, bem como na geração de empregos e no combate à pobreza.

A transferência de responsabilidades da MINUSTAH para unidades policiais formadas já está concluída em quatro dos dez departamentos – Sul, Grand-Anse, Nippes e Noroeste – observa o relatório de Ban. Em julho de 2013, a Missão da ONU pretende concentrar a sua presença militar em cinco centros de segurança em Porto Príncipe, Léogâne, Gonaïves, Cap-Haitien e Ouanaminthe.

“Esta concentração gradual da presença militar seria equilibrada pela implantação de unidades de polícia formadas para outros departamentos, um modelo de transição que já se provou eficaz”, afirmou o Secretário-Geral.

“O fortalecimento da Polícia Nacional continua a ser um pré-requisito fundamental para a eventual retirada da Missão do Haiti”, disse Ban Ki-moon. Ele acrescentou que as recentes medidas tomadas pelo Governo, com o apoio da Missão, para aumentar o número de recrutas da polícia – em particular de mulheres – são encorajadoras e devem ajudar a diminuir a escassez atual de novos cadetes na polícia.

O Secretário-Geral ressaltou avanços na assistência humanitária, mas reconheceu que o país ainda tem grandes desafios. Em junho de 2012, 390.00 pessoas estavam vivendo em 575 campos de deslocados, o que representa uma melhora em relação a julho de 2010, quando 1.555 campos eram moradia para 1,5 milhão de haitianos. A falta de higiene, segundo Ban, expõe os moradores aos riscos naturais, infecções diarreicas e cólera.

O Conselho de Segurança da ONU criou a MINUSTAH em junho de 2004, e desde então o Brasil detém o comando militar da Missão. Além das tarefas definidas por meio de seu mandato, a Missão tem ajudado as autoridades do Haiti nos esforços de recuperação, após o forte terremoto que atingiu o país, em janeiro de 2010.

Acesse a íntegra da resolução 2070 (2012) do Conselho de Segurança:
http://www.un.org/News/Press/docs//2012/sc10788.doc.htm

Exército se prepara para enviar tropa ao Haiti

Ajudar a reconstruir um país devastado por um terremoto e com grandes problemas sociais. É com esse objetivo que 650 militares do Exército Brasileiro, Marinha e Força Aérea embarcam em novembro rumo ao Haiti para compor parte da Força de Paz do Exército que se encontra no país desde 2004. O objetivo é ajudar a estabilizar a região, pacificar e desarmar grupos de guerrilheiros, além reestruturar o desenvolvimento social e econômico do país.

Três tropas brasileiras já vêm realizando operações de paz no Haiti, desempenhando um importante papel nas questões de segurança e no aspecto social: dois batalhões (BRABATT1 e BRABATT2), responsáveis pela segurança em áreas de operação, além da Companhia de Engenharia, responsável pelo apoio na reconstrução e reestruturação do espaço em Porto Príncipe, capital do país.

A cada seis meses uma tropa brasileira é enviada ao Haiti. O próximo grupo de militares a participar da missão iniciou o treinamento sobre as condições operacionais que enfrentarão no Haiti desde o mês de julho, estando agora em fase final das instruções voltadas para atender a população local.

Atualmente, os militares estão concentrados nas instalações do 16º Batalhão de Infantaria Motorizado e do 17º Grupo de Artilharia de Campanha, para que nas próximas semanas possam vivenciar de forma simulada, na periferia de Natal, situações semelhantes àquelas que encontrarão no Haiti.

“Nós teremos basicamente quatro missões gerais: iremos trabalhar para manter o ambiente seguro e estável; dar condições de preparação e resposta aos desastres naturais, à exemplo do terremoto que aconteceu no país em 2010; daremos proteções ao civis que estão sob ameaça de violência física; e iremos trabalhar para a recuperação e reconstrução do país”, disse o comandante geral da operação do 1º Batalhão de Infantaria da Força de Paz, coronel Rogério Rozas.

De acordo com o comandante, a realização dessas missões envolve uma série de medidas e estruturas. “Existe um componente militar no país, que é o nosso caso, com a participação de 21 países em missão de paz da ONU (Organização das Nações Unidas). Além desse, existem os componentes civis, que dão apoio à assessoria política ao governo, ao desenvolvimento dos ministérios e aos refugiados”, explica.

Nas próximas três semanas, diversos pontos de Natal serão utilizados para a preparação final do treinamento. “Estaremos fazendo simulações em alguns locais da cidade, como o controle em vias públicas, segurança eleitoral, já que próximo ano a população de Porto Príncipe estará em período de eleições, além de situações rotineiras de patrulhamento”, afirma o comandante Rozas, apontando a atuação de  diversas instituições de Natal em apoio ao treinamento do Exército.

O Brasil comanda a força militar da missão de paz da ONU no Haiti desde 2004. Os mais de 15 mil soldados do País que já passaram pela missão formam o maior contingente brasileiro enviado ao exterior desde a 2ª Guerra Mundial. A primeira leva de militares que estão participando do treinamento embarcará no dia 4 de novembro.

Essa missão será a primeira oportunidade para o tenente Araújo, 26, participar de uma ação real de paz. Ele, que faz parte do quadro de engenharia do Exército, viajará ao Haiti comandando mais 22 homens. “Será minha primeira grande realização profissional. Sempre almejei trabalhar com a missão de paz e agora viajarei carregando comigo e com minha equipe uma grande responsabilidade de ajuda humanitária. E tenho todo o apoio da minha família para isso”, afirma.

Fonte: JH

Seis mulheres integram o 17º Contingente da Força de Paz no Haiti

Major Ivana Mara e a sargento Michelle participam dos treinamentos em Aquidauana (Foto: Rhobson T. Lima)

Esta segunda-feira (01º) marcou o início dos treinamentos do 17º Contingente Brasileiro da Companhia de Engenharia de Força de Combate, comandado pelo tenente-coronel Francisco Alexandre do Couto da Paixão. Pela oitava vez, Aquidauana recebe a tropa que será preparada para a Minustah (Missão Para Estabilização do Haiti).

No meio dos 244 militares do sexo masculino, destaca-se a presença de seis mulheres. Elas farão parte do contingente e irão trabalhar nas áreas da saúde, relações públicas e intérprete. De acordo com a major Ivana Mara, chefe da equipe de intérpretes, e a sargento Michelle, auxiliar de saúde, fazer parte da Força de Paz é uma honra e também um grande desafio na carreira militar.
“Dentro das especificações de cada área, é obrigatória a presença de uma intérprete, então eu resolvi me candidatar à vaga e consegui ser pré-selecionada”, conta a major Ivana Mara, que atualmente está servindo em Brasília.
“As missões no exterior contam muito para a carreira do militar. Mas também contou o fato de eu poder ajudar a comunidade haitiana, que é uma gratificação enorme”, destaca a sargento Michelle, que também serve na capital federal.
O contingente passará aproximadamente seis meses no Haiti. Segundo elas, o longo período distante da família é um dos grandes desafios para os militares que integram a Missão de Paz. “O Núcleo de Assistência à Família, desenvolvido pelo Exército, nos garante mais tranquilidade. Eu já viajei com o Exército, em períodos até mais longos do que esse. Porém, é lógico que sempre precisamos ter uma conversa, antes de poder definir a saída”, relata a major Ivana Mara, que é casada e tem dois filhos.
A sargento Michelle, que sairá em missões para o exterior pela primeira vez, concorda e diz que a decisão de participar do processo seletivo para a Minustah precisa ser tomada em conjunto. “São seis meses, portanto, é preciso haver uma estrutura familiar. No meu caso, que sou casada e não tenho filhos, acredito que o contato por MSN, Skype, possa amenizar um pouco a falta”.
Quatro semanas de treinamentos
Os treinamentos do 17º Contingente Brasileiro da Companhia de Engenharia de Força de Combate vão até o dia 26 de outubro. Toda a estrutura do 9º Batalhão de Engenharia de Combate – Batalhão Carlos Camisão -, comandado pelo tenente-coronel José Henrique Araújo dos Santos, estará à disposição da tropa.
Grande parte das instruções será realizada no quartel, mas também haverá atividades externas. As atividades realizadas nas ruas incluem blitzes – com apoio da Polícia Militar – em áreas menos movimentadas, reforma em creches e postos de saúde, simulações e movimentações de tropa a pé e motorizadas. Os armamentos utilizados pelos militares nas atividades externas estarão municiados com cartuchos de festim, para não oferecer perigo à população. O objetivo dessa fase é preparar a tropa para as operações nos moldes das situações quem podem ocorrer no Haiti.
Fonte: O Pantaneiro

 

 

 

Enviado de Direitos Humanos da ONU alerta para riscos de retrocesso no Haiti

Secretário-Geral Adjunto da ONU para os Direitos Humanos, Ivan Simonovic (ONU/Evan Schneider)

O Vice-Secretário-Geral da ONU para os Direitos Humanos, Ivan Simonovic, falou ontem (17), na conclusão de sua missão de quatro dias ao país, sobre os “sinais encorajadores no Haiti”, mas também chamou a atenção para os riscos de retrocesso. “O Haiti está em uma encruzilhada. Se as medidas corretas forem tomadas sobre um número de questões-chave, há potencial para o progresso. Mas, ao mesmo tempo, há riscos de retrocesso”.

Ele citou como promissoras as recentes alterações constitucionais que estabeleceram uma cota de 30% para as mulheres na vida pública, um conselho constitucional e a nomeação de um Ministro de Direitos Humanos e Luta contra a Pobreza.

“O novo Conselho Eleitoral Permanente deve ter credibilidade e ter a confiança de todo o espectro político para garantir que as eleições locais, municipais e parlamentares ocorram sem demora e sejam livres, justas e sem violência”, disse Simonovic.

Redução das tropas

Simonovic pediu que a desmilitarização planejada das forças da Missão das Nações Unidas para a Estabilização no Haiti (MINUSTAH) seja acompanhada por um maior apoio à polícia nacional e às instituições do Estado de Direito.

“O recrutamento planejado de 5 mil novos policiais nos próximos quatro anos traz um grande potencial para um Haiti seguro. Se eles forem recrutados com base em seus méritos e forem bem treinados, e se houver a inclusão de mais mulheres, a Polícia Nacional do Haiti vai ser reforçada e trará confiança à população. O papel e a independência do Inspetor-Geral são fundamentais para garantir que os violadores dos direitos humanos sejam excluídos do alistamento”, disse ele.

Reforma do sistema de justiça está atrasada

“A reforma da polícia não é suficiente. A reforma do sistema de justiça está muito atrasada. Eu visitei a Penitenciária Nacional, onde seus 3.489 presos vivem em condições desumanas e degradantes. Entre eles, apenas 278 têm registros de condenação, a maior parte do restante está em prisão preventiva prolongada. Um sistema de justiça mais independente, confiável e eficiente é necessário para resolver não só a situação presente, mas para garantir que os direitos da população estejam melhor protegidos, incluindo direitos sobre a terra”, observou.

Simonovic acrescentou que “muitos dos mais vulneráveis ainda estão presos em campos, em terras privadas e ameaçados por despejos forçados. Tenho sublinhado a necessidade de consulta com os moradores e do respeito pelas normas internacionais de direitos humanos no processo de desmantelamento desses campos restantes. Uma política de desenvolvimento habitacional e urbano abrangente é necessária”.

 

 

 

Curso Missão de paz e reconstrução do Estado: o caso do Haiti

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Estão abertas, a partir de 29 de agosto, as inscrições para o curso “Missão de paz e reconstrução do Estado: o caso do Haiti”. As aulas, sempre às 2as feiras, das 16 às 18 horas, começarão no dia 10 de setembro e vão até 3 de dezembro. Os alunos devem ter graduação em alguma disciplina das ciências humanas, ler fluentemente inglês e ter noções básicas de francês.  A participação é gratuita. Mais informações pelo telefone             (21) 3289 8613       / 8641 / 8242.

::Resumo do curso missão de paz e reconstrução do Estado: o caso do Haiti

Em junho de 2004 foi estabelecida pela ONU a Mission des Nations Unies pour la Stabilisation em Haiti (MINUSTAH) pouco depois do exílio do presidente Jean-Bertrand Arisitide em conseqüência dos conflitos armados que então haviam se espalhado por diversas cidades do país. Essa missão segue um histórico de intervenções na década de 90 no Haiti, que de 1993 a 2000 contou com seis missões de paz distintas aprovadas pelo Conselho de Segurança das Nações Unidas.
Todas essas missões foram fundamentadas e legitimadas na percepção do Haiti como um Estado falido, isto é, um Estado que é incapaz de garantir condições e responsabilidades básicas de um governo soberano, o que é constatado a partir de fatores como violações a direitos humanos, conflitos internos, e legitimidade do governo estabelecido. É esse Estado falido, incompleto, incapaz que a missão de paz das Nações Unidas visa a reconstruir.
O curso: “Missão de Paz e Reconstrução do Estado: o caso do Haiti” pretende em linhas gerais analisar as formas pelas quais se dá a presença internacional em solo haitiano no que diz respeito ao processo de reconstrução do Estado no país, voltando-se, sobretudo, às atividades da MINUSTAH.
O curso irá colocar em questão a noção de falência estatal atribuída ao Haiti,  discutir o arcabouço teórico que compreende os conceitos de statebuilding (reconstrução do Estado) e de peacebuilding (consolidação da paz), intimamente ligados à MINUSTAH cujo mandato compreende não apenas a responsabilidade de garantir a paz, mas também o dever de modificar as estruturas sócio-políticas que, em primeiro lugar, deram origem aos conflitos no país.
Dessa forma, a partir da assimilação das bases teóricas que norteiam e legitimam a presença de atores internacionais na vida política e social do Haiti, buscaremos analisar suas ações mais de perto, a fim de compreender os sucessos e fracassos das tentativas de reconstrução do Estado haitiano empreendidas pela MINUSTAH.

 

 

 

Haiti tenta voltar ao normal após passagem de tempestade tropical

O Haiti está tentando voltar ao normal, nesta segunda-feira, após a passagem da tempestade tropical Isaque pela ilha, na madrugada de sábado.

Segundo o Escritório da ONU para Assistência Humanitária, Ocha, pelo menos oito pessoas morreram com as fortes chuvas e ventos. A Missão de Estabilização no Haiti, Minustah, informou que as mortes ocorreram por causa da queda de árvores e de postes de eletricidade.

De acordo com agências de notícias, o Isaque teria feito mais três vítimas fatais na República Dominicana.

O comandante militar da Minustah, general Fernando Goulart, contou à Rádio ONU, de Porto Príncipe, como está a situação nas ruas nesta segunda-feira.

“Hoje, aqui em Porto Príncipe, amanheceu pela primeira vez com sol sem nuvens. Está voltando à normalidade para a população. Eu estive aqui, estávamos todos a postos na sexta-feira à noite. Com a passagem, houve bastante chuva”.

Segundo o Ocha, milhares de pessoas foram retiradas dos abrigos temporários, que ainda persistem dois anos após o terremoto no Haiti.

Para o comandante Fernando Goulart, a maior preocupação agora é conter o cólera, por causa da contaminação das águas.

“E agora, neste momento, em que os rios encheram e alguns saíram das suas margens, e vai demorar um tempo para que eles voltem aos leitos. É um período em que estamos alertas para a possibilidade de aumento de casos (do cólera) e vamos agir de acordo”.

De acordo com agências de notícias, nesta segunda-feira, a tempestade está atravessando a Flórida com ventos de 105 km/h, a caminho do estado de Louisiana, onde pode chegar com força de furacão.

O governador de Louisiana, Bobby Jindal, disse que a população tem que estar “preparada para o pior”.

Fonte: JB

 

 

 

Tropas brasileiras socorrem vítimas de tempestade no Haiti

Tropas brasileiras em missão de paz no Haiti já identificaram mais de 1.200 pessoas em situação de emergência em Porto Príncipe, devido à passagem da tempestade tropical Issac pelo Haiti. Bases do Brasil no Campo Charlie – a maior instalação militar da ONU no mundo – e em Cité Soleil foram parcialmente destelhadas e perderam boa parte de sua capacidade de comunicação devido a ventos cuja velocidade ultrapassa 100 km/h.

“Caíram muitas árvores e postes de luz. As portas dos alojamentos foram arrancadas e houve muito destelhamento. Estamos agora reinstalando as antenas de rádio para retomar as comunicações. A internet não está funcionando. Tivemos um prejuízo razoável”, afirmou à BBC Brasil o tenente-coronel Rubens Costa Neto, porta-voz do Brabatt 1, um dos batalhões brasileiros no país.

O pico da tempestade ocorreu na madrugada, quando era possível transitar pela cidade apenas em blindados anfíbios. Apesar dos estragos nas bases brasileiras, segundo ele, as tropas continuam em condições de atuar e inciaram na manhã deste sábado um processo de identificação das regiões mais atingidas.

Após o levantamento, operações de socorro devem ser iniciadas sob o comando das agências de ajuda humanitária da ONU e do governo haitiano. Até a tarde de sábado, ao menos quatro mortes foram notificadas à organização britânica Oxfam. Apenas uma delas foi confirmada, a de uma menina soterrada no desabamento de um muro.

Segundo Costa Neto, uma companhia de engenharia brasileria já foi despachada para Les Cayes, a cidade no sul do país mais atingida pela tempestade Isaac. Os militares levam ao local caminhões anfíbios, escavadeiras e suprimentos de água para socorrer os feridos, limpar estradas e retirar moradores de áreas ilhadas.

Aproximadamente 400 mil pessoas ainda vivem em tendas e acampamentos improvisados no país após terem perdido suas casas no terremoto de janeiro de 2010, que matou cerca de 300 mil pessoas. Há dois dias, quando a tempestade Isaac se aproximava, a ONU levou cerca de 80% dos moradores de acampamentos para abrigos de tempestade feitos de alvenaria, segundo a entidade.

Áreas afetadas
Mas, segundo Costa Neto, cerca de 700 novos desabrigados foram identificados na favela de Cité Soleil e 500 no bairro industrial de Sonapi. “Muitas construções foram afetadas nessas regiões. Os moradores estão em situação de calamidade”, disse.

“Na sexta-feira todos foram orientados a não deixarem suas casas. O tempo melhorou na manhã de hoje (sábado) mas voltou a piorar agora de tarde. Está chovendo muito forte as áreas alagadas devem aumentar”, afirmou. Segundo ele, a tempestade começa a deixar o país, mas a chuva continua forte. Diversas regiões da capital estão alagadas.

A Comissão de Ajuda Humanitária e Proteção Civil da União Europeia monitora a situação e deve acionar equipes de socorro. A entidade afirmou que os ventos chegaram à velocidade de 375 km/h no centro da tempestade. A comunidade internacional deve ajudar o governo do Haiti no socorro aos desabrigados. Há reserva de alimentos para 300 mil pessoas, estoque de água para 400 mil e abrigos de emergência para atender 70 mil famílias.

Além das equipes das agências humanitárias, 5.700 fuzileiros estão de prontidão nas bases da ONU aguardando o fim da tempestade. Eles devem garantir a segurança das equipes de socorro e impedir eventuais ações criminosas nas áreas mais afetadas. A tempestade Isaac agora se dirige para Cuba. Especialistas estimam que em seguida ela atinja a Flórida, nos Estados Unidos.

Fonte: Terra

 

 

 

Brasil vai ajudar Haiti a formar sua própria força de segurança

BRASÍLIA – O governo brasileiro decidiu atender ao pedido do governo do Haiti e ajudar na formação de uma nova força de segurança no país caribenho. A decisão foi comunicada pelo ministro da Defesa, Celso Amorim, em reunião nesta quinta-feira (26) com o ministro hatiano da Defesa, Jean Rodolphe Joazile.

De acordo com o Ministério da Defesa, nas próximas semanas, o Brasil deverá enviar ao país uma missão com integrantes do Exército, da Marinha e da Aeronáutica para estudar formas de ajudar o país. “É um pedido do governo do Haiti de nós cooperarmos nessa linha. Estamos, agora, começando a trabalhar nas modalidades de como essa ajuda pode ser prestada”, declarou o ministro da Defesa Celso Amorim, após um almoço com as autoridades haitianas.

Não haveria ajuda, segundo Amorim, se o governo brasileiro não tivesse obtido do governo haitiano a garantia de que o Exército do país não funcionará como “milícia pessoal”, como ocorreu no passado, quando o país foi governado por ditaduras sangrentas. “Essa preocupação existe e o ministro [Jean Joazile] me deu garantias de que não se trata de restituir o antigo Exército que tem contra ele essas acusações e nem de um modelo que funcione como uma milícia pessoal”, disse.

Uma forma de apoio já cogitado pelo governo brasileiro seria a de abrir vagas para que militares haitianos pudessem cursar engenharia no Brasil. “Essa ajuda teria o objetivo de dar um caráter efetivamente profissional, institucional a essa força e, mais importante ainda, começando por uma área que é de grande interesse para o Haiti, que é a engenharia militar, com implicações para a defesa civil”, explicou Amorim.

A iniciativa de formar uma nova força de segurança é uma das principais estratégias do governo de Michel Martelly, presidente que tomou posse no ano passado. Há 17 anos, as Forças Armadas do Haiti foram dissolvidas após sucessivos golpes militares e uso político do aparato militar. O presidente haitiano chegou a tratar do assunto diretamente com a presidente Dilma Roussef, em janeiro deste ano, quando ela visitou o país.

A colaboração acertada hoje ocorrerá simultaneamente ao movimento de diminuição da participação brasileira na Força de Paz das Organizações das Nações Unidas (Minustah), que está no país desde junho de 2004. Atualmente, 2 mil militares brasileiros participam da Minustah e a intenção do governo é reduzir esse contingente para mil, patamar que havia antes do terremoto que atingiu o país em janeiro de 2010. O Brasil, que tem a liderança da Minustah, chegou a ter 2.250 militares no Haiti.

Apesar de haver consenso na comunidade internacional de que a força da ONU é necessária, sua presença no Haiti também enfrenta críticas, já que não contribui para que o país caminhe com as próprias pernas. A avaliação do governo brasileiro é a de que a presença das tropas deve diminuir gradativamente. “Não sei quanto tempo será, mas o processo de redução [do contingente] da Minustah já começou e vai continuar. Ficaremos lá o tempo que for necessário, mas, como eu sempre tenho dito, não é bom nem para o Brasil, nem para a ONU, nem para o Haiti que as forças estejam lá de maneira permanente”, observou o chanceler brasileiro.

Amorim defendeu a necessidade de formação de uma força militar no Haiti capaz de assumir as ações desempenhadas hoje pela força de paz. “Havendo essa redução, evidentemente tem que haver alguma capacidade local para lidar com os problemas de segurança”, disse.

O ministro destacou as áreas nas quais o Haiti quer ser preparar com o objetivo de reconstruir o país. “O Haiti está preocupado também em proteger suas fronteiras, em guardar sua costa marítima, ser capaz de atuar na área de defesa civil. Infelizmente, é um país muito sujeito a desastres naturais. O terremoto de 2010 foi o evento mais conhecido, mas há também enchentes inundações, furacões”.

Fonte: DCI

 

 

 

MISSÃO DE PAZ – Em patrulha no Haiti, militares da Força Aérea realizam parto em Porto Príncipe

Soldados brasileiros fazem parto no Haiti

Porto Príncipe (Haiti) – Ernesto e Rebeca Delise vagavam pelas ruas de Porto Príncipe à procura de socorro. Grávida, com fortes contrações, a jovem e o marido tiveram de parar em uma das avenidas escuras da capital Porto Príncipe. Deitada na calçada, os dois esperavam. Na história desses pais haitianos, um encontro foi decisivo para o final feliz.Nove militares da Força Aérea Brasileira que participam da missão da Organização das Nações Unidas (ONU) no país, em missão rotineira de patrulha, viram a cena e socorreram a mãe.

Os primeiros atendimentos aconteceram ali mesmo. Os militares embarcaram a jovem mãe haitiana na viatura e partiram em busca de socorro, rumo a postos médicos de entidades que prestam apoio à população haitiana. Não deu tempo. O pequeno Junas Delise nasceu às 5h desta quarta-feira (18/07), na viatura da patrulha, com a ajuda dos soldados brasileiros Demorvã Diego Canton e Kaue Correa dos Santos Frois, que receberam treinamento de primeiros socorros antes do embarque para a missão.

Com o menino nos braços da mãe, a equipe da FAB seguiu para o Centro de Referência de Urgências Obstétricas da ONG Médicos Sem Fronteiras. Os dois passam bem.

“No momento mantivemos a calma para trazer uma nova vida ao mundo. A emoção foi muito grande. Fizemos o que fomos treinados. Foi uma lição que vamos levar por toda a vida”, afirma o soldado Demorvã. Frois diz que a experiência está sendo única, mas para ele “somente este fato já faz valer a pena toda a missão”.

Tropas brasileiras, do Exército, da Marinha e da FAB, participam da Missão das Nações Unidas para a Estabilização do Haiti (MINUSTAH), ao lado de outros países que colaboram com a reconstrução do Haiti.

Missão de paz – Os militares envolvidos no parto integram o terceiro contingente da FAB no Haiti. Vinte e sete militares do Batalhão de Infantaria da Aeronáutica Especial de Brasília (BINFAE-BR) embarcaram em 29 de março. Eles devem retornar ao Brasil em novembro, quando embarca o quarto contingente da FAB, Pelotão de Infantaria da Aeronáutica (PINFA 17), composto por militares das Guarnições de Aeronáutica de Natal, Recife e Fortaleza, que irá substituí-los.

Fonte: Agência Força Aérea

 

 

 

Brasil acolhe 148 haitianos retidos na fronteira com a Bolívi

Rio Branco (Brasil), 13 jul (EFE).- O Brasil acolherá nos próximos dias outros 148 haitianos que chegaram à Amazônia e estão retidos na fronteira do país com a Bolívia, assegurou o governador do Acre, Tião Viana.

Pelo menos 2.600 pessoas que deixaram o Haiti depois do terremoto de 2010 foram recebidas até agora ‘como irmãos’ no Acre, disse Viana em declarações à Agência Efe.

O governador acrescentou que o estado do Acre forneceu cerca de R$ 2 milhões em ajuda humanitária para os recém chegados.

‘Não temos nenhum problema com eles. Nós os ajudamos a buscar trabalho. As empresas interessadas (em contratá-los) vêm buscá-los aqui’, afirmou Viana.

Segundo o governador, a maioria está encontrando trabalho no setor serviços, ‘porque não são muito bons’ em trabalhos rurais.

Cerca de 4.000 haitianos chegaram ao Brasil nos últimos meses para fugir da miséria e do caos de seu país, arrasado por um terremoto que deixou cerca de 300 mil mortos em janeiro de 2010.

A maioria desses imigrantes entrou pelas cidades fronteiriças de Tabatinga (no estado do Amazonas) e Brasileia (Acre).

A presidente Dilma Rousseff autorizou em janeiro a regularização da situação de cerca de 2.400 haitianos imigrantes ilegais no país, os quais receberão vistos de trabalho.

Dilma destinou em janeiro R$ 900 mil para programas de assistência a esses imigrantes na Amazônia. EFE

Fonte: Veja

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