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Croácia: após 20 anos de conflitos, meta da UE se aproxima

A Croácia, que foi junto com a Eslovênia a primeira república iugoslava a declarar sua independência, demorou anos para fechar seu processo de integração europeia, marcado por guerras, Governos autoritários, luta contra a corrupção e difíceis reformas políticas e econômicas.

Em 25 de junho de 1991, quando o Parlamento croata declarou a independência da antiga Iugoslávia comunista, um dos objetivos proclamados, além de se tornar uma democracia e uma economia de mercado, foi a integração na União Europeia (UE).

Devido à oposição de Belgrado e à guerra servo-croata que já estava ardendo, a UE interveio como mediadora e estabeleceu uma moratória de três meses sobre essa independência, que, portanto, entrou em vigor em 8 de outubro.

No entanto, o caminho rumo à comunidade ocidental não seria fácil: já em 1990 tiveram início na Croácia os primeiros incidentes entre a minoria sérvia, apoiada de Belgrado pelo presidente Slobodan Milosevic, e as autoridades da Croácia, lideradas pelo nacionalista e autoritário Franjo Tudjman.

Os sérvios da Croácia proclamaram sua "República Sérvia de Krajina", disposta a se unir à Sérvia, e durante a guerra de 1991 conseguiram se apoderar de 28% do território da Croácia, que "limparam" de população croata.

Após a assinatura do cessar-fogo entre as partes em 1992 e a chegada dos "capacetes azuis" da ONU, a Croácia foi reconhecida por UE, Estados Unidos e outros países em 15 de janeiro de 1992.

Seguiram-se anos de ocasionais bombardeios e tentativas frustradas da comunidade internacional de negociar um acordo entre as duas partes.

Na ofensiva de reconquista de 1995, a Croácia conseguiu recuperar a maior parte da "Krajina", menos a Eslavônia ocidental com Vukovar, que foi pacificamente reintegrada à Croácia de 1995 a 1998 com a ajuda de uma missão da ONU.

Essa guerra, além de produzir vítimas humanas, levou a uma estagnação nos esforços para a democracia do país.

Com a morte de Tudjman em 1999 e a chegada ao poder em 2000 de uma coalizão liderada pelo social-democrata Ivica Racan e pelo presidente Stjepan Mesic, começou a integração da Croácia na UE.

Em 2000 tiveram início as negociações sobre o Acordo de Estabilização e Associação, que foi assinado em outubro de 2001, e, em fevereiro de 2003, Racan apresentou oficialmente a candidatura da Croácia a membro de pleno direito da UE.

Em junho de 2004, pouco depois que Ivo Sanader subiu ao poder, o país foi aceito oficialmente como candidato por Bruxelas, e se determinou que as negociações teriam início em 17 de março de 2005.

Essa data foi adiada pouco depois porque o Tribunal Penal Internacional para a Antiga Iugoslávia (TPII) denunciou que Zagreb não cooperava suficientemente, já que não tinha detido o comandante da ofensiva de 1995, Ante Gotovina.

As negociações foram iniciadas seis meses mais tarde, em outubro de 1995, depois que o TPII confirmou a cooperação da Croácia. Gotovina foi detido em dezembro de 2005 na Ilha das Canárias.

Uma nova estagnação aconteceu em 2008 pelo bloqueio da Eslovênia, devido ao litígio fronteiriço entre os dois países vizinhos.

Foi sob o Governo da sucessora de Sanader e atual primeira-ministra, Jadranka Kosor, que se decidiu por uma arbitragem internacional para solucionar o litígio e desbloquear as negociações.

Além disso, Jadranka puniu os corruptos, outro passo importante para a entrada do país na UE, levando muitos ex-funcionários, incluindo Sanader, à prisão.

Fonte: http://noticias.terra.com.br/mundo/noticias/0,,OI5179535-EI294,00-Apos+anos+de+conflitos+Croacia+se+aproxima+de+sua+meta+de+entrar+na+UE.html

“ONU tinha de proteger Srebrenica e nada fez”

Com o processo de Mladic abre-se também a possibilidade de esclarecer alguns episódios em relação a Srebrenica e mesmo as responsabilidades da cada um, incluindo a FORPRONU, e concretamente, o batalhão holandês responsável na zona declarada segura pela ONU.

Axel Hagedorn é o advogado alemão de seis mil familiares de vítimas do massacre. Que estratégia de defesa acha que vai adotar Ratko Mladic?

“- É a maior questão, agora, o que vai fazer o Tribunal? Qual será a defesa de Mladic, quem é que vai culpar, vai assumir as decisões ou vai esconder-se atrás de Karadzic ou de Milosevic? Por agora parerece esconder-se por trás de Milosevic. E isto é importante para o nosso caso pois Mladic é uma testemunha muito importante, temos de ver o que vai dizer.

Os soldados holandeses e a ONU tinham o mandato para proteger a população em Srebrenica e não o fizeram. Não dispararam um único tiro contra os atacantes sérvios, não utilizaram o apoio aéreo apesar de estarem preenchidas todas as condições para o fazerem, e por isso, Mladic pôde continuar. Eles apenas regressaram à base e nada fizeram, não houve resistência contra o ataque dos sérvios. Mesmo sabendo que eles iam proceder ao ataque, não tomaram medidas para o evitar.

O que é preciso saber e pouca gente sabe, é que a linha de comando era constituida, maioritariamente, por oficiais e generais holandeses.

Até ao general Nikolaï, só lá estava o general Janvier. Em relação ao apoio aéreo, por exemplo, o general Nikolai não só não o solicitou, como também não fez chegar o pedido de todo o batalhão holandês ao general Janvier.

Só à sexta vez vez o general solicitou apoio aéreo.

O nosso objetivo é elucidar sobre o que os soldados holandeses, ou o governo holandês, e as Nações Unidas, não fizeram e que tinham de fazer, que era proteger as epssoas de Srebrenica, e por isso, são responsáveis, mas não em termos de crime, apenas de responsabilidades civis e internacionais.

O que fizeram os holandeses e o que vai dizer Mladic? Se por exemplo, ele admitir que os soldados não fizeram nada e que por isso é que atacou a zona segura, é extremamente importante.”

Joris Voorhoeve era ministro da Defesa da Holanda na altura do amssacre de Srebrenica. Recusa qualquer responsabiilidade dos capacetes azuis holandeses neste drama:

“- Os holandeses foram culpados injustamente por não serem capazes de proteger o enclave, mas ele era militarmente indefensável e em segundo lugar, os holandeses estavam sob comando militar de oficiais da ONU franceses e britânicos.”

Apesar da tentativa de utilizar o processo contra Ratko Mladic para tentar esclarecer outras possíveis responsabilidades da ONU, o julgamento parece centrar-se apenas nas responsabilidades do general sérvio, único e exclusivo artífice, segundo a acusação, do massacre de Srebrenica.

Fonte: Euronews

http://pt.euronews.net/2011/06/01/onu-tinha-de-proteger-srebrenica-e-nada-fez/

Sérvia detém ex-general acusado de genocídio na Bósnia

A polícia sérvia prendeu nesta quinta-feira o ex-general foragido Ratko Mladic, criminoso de guerra culpado pelo TPI (Tribunal Penal Internacional) para a ex-Iugoslávia. A informação foi confirmada em coletiva de imprensa pelo presidente sérvio, Boris Tadic.

"Detivemos Ratko Mladic hoje de manhã. O processo de extradição está em curso", afirmou Tadic, aludindo à transferência do ex-comandante para ser julgado pelo tribunal de Haia.

Sua detenção é "resultado de uma cooperação completa entre a Sérvia e o Tribunal de Haia", disse ainda o presidente sérvio. "No dia de hoje, fechamos um capítulo da história de nossa região, que nos levará a uma reconciliação completa", acrescentou.

Não foram fornecidos detalhes sobre as circunstâncias da prisão. Mladic estava foragido desde 1995, quando foi indiciado pela ONU por crimes de guerra e condenado em Haia pelo genocídio de 8.000 bósnios em Srebrenica e outros crimes cometidos durante a guerra da Bósnia (1992-95). Há anos, o TPI pedia a sua detenção.

A prisão de criminosos de guerra é o maior obstáculo para a entrada da Sérvia na União Europeia (UE).

A prisão de Mladic ocorre menos de três anos depois da detenção de Radovan Karadic, que foi líder político dos sérvios na Bósnia, ocorrida em julho de 2008 em Belgrado. Outro ex-dirigente dos sérvios na Croácia, Goran Hadzic, continua foragido.

No início de maio, o fiscal do TPI, Serge Brammertz, afirmou durante uma visita a Belgrado que a Sérvia "poderia fazer mais" para deter Mladic.

De Bruxelas, a Comissão Europeia disse pouco antes da confirmação que tinha "todos os motivos para acreditar" que o principal criminoso de guerra sérvio foi detido. "No entanto, esperamos uma confirmação", disse a porta-voz para questões relacionadas com a ampliação do bloco, Natasha Butler.

"Se for correto, consideraremos que a Sérvia entendeu a importância da cooperação total com a justiça internacional e decidiu avançar concretamente", acrescentou.

Auto-defesa de Karadzic está mais para um tiro pela culatra

Há alguns meses foi postado que o julgamento do ex-líder sérvio-bósnio Radovan Karadiz iria começar. Numa estratégia um tanto que duvidosa Karadzic renunciou o direito a ter um advogado em sua defesa e ao que tudo indica essa estratégia não vem surtindo os efeitos esperados como podemos ver na reportagem publicada hoje pelo site estadão.com.br:

“Inexperiência de Karadzic na própria defesa marca julgamento

O ex-líder servo-bósnio optou por utilizar interrogatórios a se justificar

BRUXELAS – A inexperiência do ex-líder servo-bósnio Radovan Karadzic para dirigir sua própria defesa marcou a primeira semana de acareações no julgamento por genocídio em Haia, no Tribunal Penal Internacional para a Antiga Iugoslávia (TPII).

Karadzic, que renunciou a um advogado, enfrentou nesta primeira semana o testemunho de dois bósnios muçulmanos que viveram as atrocidades da guerra no campo na Bósnia e em um bombardeio ao mercado em Sarajevo.

O apelidado “açougueiro de Sarajevo” foi repreendido pelo juiz O-Gon Kwon e o promotor Alan Tieger por quebrar às regras da acareação com testemunhas, que envolve fazer perguntas sobre o conteúdo da declaração.

No lugar disso, Karadzic optou por utilizar nos interrogatórios a justificativa que a ofensiva sérvia foi uma estratégia de defesa diante do “complô muçulmano destinado a transformar a Bósnia em uma república islâmica”.

As testemunhas reagiram: “por que pergunta sobre assuntos que não têm nada a ver comigo”, alfinetou na quinta-feira, na última sessão, um bósnio que perdeu a mulher morreu no ataque a Sarajevo.

Karadzic, que não se separa de seus óculos de leitura, considera que está em desvantagem por não ter tido acesso ao computador nos últimos dias e porque diz não ter tempo “suficiente” com cada testemunha.

O ex-líder servo-bósnio Karadzic enfrenta 11 acusações por crimes de guerra, contra a humanidade e por genocídio na guerra civil da Bósnia-Herzegovina (1992-1995), onde calcula-se foram exterminadas 200 mil pessoas e mais de 2 milhões ficaram sem família.

Rasim Delic

Morreu nesta sexta-feira o comandante bósnio Rasim Delic, condenado por crimes de guerra duante o conflito da Bósnia entre 1992 e 1995, na cidade de Visoko, a 30 quilómetros a oeste de Sarajevo, informou a imprensa local.

Delic foi condenado em 2008 pelo Tribunal Penal Internacional para a Antiga Iugoslavia (TPII), em Haia, a três anos de prisão, por não ter tomado todas as “medidas necessárias e razoáveis” para prevenir e castigar os delitos de trato cruel contra sérvios e croatas cometidos pela unidade El-Moujahid, formada por voluntários muçulmanos”.

Julgamento de Radovan Karadzic

RadovanComo era previsto no dia 26 de outubro Radovan Karadzic não compareceu perante o Tribunal Penal Internacional para a Ex-Iugoslávia sob a alegação de que precisa de mais tempo para formular sua defesa apesar de estar preso há mais de 1 ano.  O julgamento, entretanto, continuou no dia seguinte sem a presença do réu.

Somente hoje o ex-líder Bósnio compareceu perante o tribunal, no entanto o caso foi adiado enquanto os magistrados não decidem se cancelam as futuras audiências ou se podem forçar o réu a aceitar um advogado ou até mesmo se podem forçá-lo fisicamente a comparecer nas sessões do tribunal.

Vale lembrar que Radovan tem se negado a receber o apoio de um advogado para preparar sua defesa contra 11 acusações referentes as atrocidades cometidas contra os muçulmanos durante a Guerra da Bósnia (1992-1995). É acusado também de crimes de guerra por utilizar 284 soldados das forças da ONU como escudos humanos quando o Exército servo-bósnio temia a intervenção das forças da Organização do Tratado do Atlântico Norte (Otan) contra suas posições.

Da maneira como Radovan vem utilizando as brechas da lei para se beneficiar fica evidente que ele não está desamparado judicialmente conforme tenta mostrar para a comunidade internacional.

A condenação de Milorad Trbic (Massacre de Srebrenica)

srebrenicaNo dia 16 de outubro de 2009 Srebrenica começa a renovar sua esperança. O ex-capitão do Exército Milorad Trbic foi considerado culpado por participar da perseguição dos bósnios mulçumanos do enclave de Srebrenica e por suas execuções sumárias, enterros e por cobrir depois os traços do crime.

Pela morte de dezenas de pessoas durante o Massacre de Srebenica, em 1995, o Tribunal de Crimes de Guerra da Bósnia codenou-o a 30 anos de prisão.

Também conhecido como Genocídio de Srebrenica, foi a matança que aconteceu em julho de 1995 quando mais de 8 mil pessoas foram brutalmente assassinadas. Sobre o comando do General Ratko Mladic e com a participação das forças especiais da Sérvia conhecidos como “Escorpiões” o massacre é considerado o maior assassinato em massa da Europa desde a 2º Guerra Mundial e é considerado por muitos como um dos eventos mais terríveis da história europeia recente.

A ONU declarou o território da Srebrenica protegido por suas tropas, o que não foi suficiente para evitar a ocorrência do genocídio. Naquele momento haviam 400 boinas azuis alemães na região.

“O comandante dos capacetes-azuis holandeses em Srebrenica aquando do genocídio de Julho de 1995 garantiu ontem só ter percebido as intenções dos sérvios da Bósnia ‘três ou quatro dias’ após a invasão do enclave muçulmano. ‘De início, as ordens eram para protegermos os refugiados’, mas, depois, ‘confrontámo-nos com um facto consumado as tropas sérvias invadiram a cidade que evacuaram dos refugiados colocados sob a nossa protecção’, explicou Ton Karremans numa audiência preliminar no Tribunal de Haia, acrescentando que os seus superiores lhe pediram para ‘observar e apoiar’ a evacuação”. (Retirado do Diário de Notícias, de 17 de unho de 2005).

Na próxima semana se dará também o julgamento do ex-líder sérvio Radovan Karadzic, mesmo após a tentativa frustada de adiar o encontro no Tribunal sob a alegação de que não esta recebendo um julgamento justo por não ter tido tempo suficiente para uma boa preparação de defesa. Karadzic afirmou ainda que não pretende comparecer ao início do julgamento no dia 26 de outubro de 2009.

É esperar para ver…

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