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Mapas interativos facilitam planejamento de ações humanitárias em áreas remotas do planeta

Mapas interativos facilitam logística de planejamento de ações humanitárias. Imagem: PMA/Judith Schuler

Mais de 100 caminhões chegaram este mês a Abeche, no Chade, uma cidade no deserto do Saara que poderia ser considerada como estando ‘no meio do nada’. Agora, uma nova ferramenta está ajudando a logística necessária para tal feito.

Fornecer assistência alimentar a pessoas com fome no Chade e outras áreas remotas da região do Sahel, na África, é difícil mesmo no melhor dos tempos. E com a região agora atingida por uma importante crise de fome, a pressão sobre a equipe de logística do Programa Mundial de Alimentos da ONU (PMA) é maior do que nunca. No entanto, novas tecnologias de mapeamento estão fornecendo esperanças para diminuir essa pressão.

Comboios de mais de 100 caminhões chegaram este mês a Abeche, no Chade, uma cidade à beira do deserto do Saara que poderia ser considerada como estando ‘no meio do nada’. A viagem de três semanas a partir de Porto Sudão, a 2.500 km da costa leste da África, destaca o desafio logístico extremo enfrentado pelo PMA no fornecimento de alimentos para destinos remotos e sem litoral.

Estima-se que 270 mil refugiados no leste do Chade dependam do PMA para a assistência alimentar – e para fazê-la chegar antes da estação chuvosa de junho, a ONU entregará mais de 30 mil toneladas métricas por todos os meios possíveis – pelas selvas de Camarões ou no deserto do Sudão.

Esta urgência também levou o PMA a organizar duas pontes aéreas de emergência, o que proporcionou o envio de cerca de 200 toneladas métricas de Plumpy’doz, uma pasta de amendoim fortificada destinado a aproximadamente 36 mil crianças menores de dois anos de idade no leste do Chade. Apesar de eficaz, pontes aéreas são caras – tornando o planejamento adequado de chegada de mercadoria algo essencial para a redução de custos.

Agora, uma nova ferramenta está ajudando a logística não só para planejar as operações, mas também para visualizá-las. Novos mapas interativos da cadeia de abastecimento podem agora exibir portos disponíveis e as suas capacidades médias, mapear possíveis corredores terrestres e calcular distâncias estimadas para ir de um porto para um armazém específico.

Mapas interativos facilitam planejamento de ações humanitárias em áreas remotas do planeta

“Tenho que dizer que estes mapas são impressionantes”, diz Nuru Jumaine, um oficial de logística com base no Chade. “Eles exibem o tempo que leva para usar vários corredores, e também o tempo estimado que leva para se chegar a um destino a partir de um determinado porto. Por exemplo, podemos ver pelos mapas que um transportador levou 56 dias em média para ir de Ngaoundéré a Abéché, cinco vezes mais do que o normal. Usando essa informação, eu posso falar com o responsável para descobrir as razões para esta jornada mais longa.”

O Programa da ONU testou e experimentou rotas para transportar grandes quantidades de ajuda alimentar, mas as circunstâncias podem mudar e a logística tem que reavaliar as possibilidades. Cerca de 40% dos alimentos destinados ao Chade costumavam fazer a jornada de 3.500 km desde de Benghazi, na Líbia, até que o conflito eclodiu em 2011. As operações reiniciaram, mas com novos combates na cidade líbia de Kufra ao longo do percurso no início deste ano, alternativas a esta rota do deserto do Saara foram solicitadas.

Os desafios de um país sem litoral são particularmente complicados e a entrega de alimentos em todo o Sahel mostra a complexidade das operações logísticas do PMA. Mas o transporte pelo oceano pode também ser complicado, dependendo da capacidade dos portos.

Por exemplo, alimentos que chegam no Porto de Douala, nos Camarões, na África Ocidental, devem ser transferidos para navios menores, um esforço para diminuir o congestionamento nos portos. Neste contexto, os mapas interativos são particularmente úteis para as equipes de transporte e logística, que podem visualizar níveis máximos de capacidade do porto, permitindo-lhes tomar decisões para transferir seus embarques via portos de países alternativos, se necessário.

Fonte: ONU Brasil

ONU: Chade enfrenta crise humanitária de proporções dramáticas

O Chade enfrenta uma crise humanitária “de dimensões dramáticas” devido à falta de alimentos provocada pelas poucas chuvas, a epidemia de cólera e o retorno em massa de milhares de cidadãos do país que estavam na Líbia.

Em entrevista coletiva realizada nesta quinta-feira em Genebra (Suíça), o coordenador humanitário das Nações Unidas no Chade, Thomas Gurtner, ressaltou, apesar deste cenário, os avanços conquistados em segurança nos últimos dois anos, e a intenção das autoridades do país em auxiliar a população mais necessitada.

O país, que fica na região do Sahel, é fortemente afetado pela fome, já que tem cerca de 1,5 milhão de pessoas desnutridas e uma taxa de desnutrição infantil severa de 20%.

Segundo Gurtner, é provável que estes números aumentem nos próximos meses devido às poucas chuvas, apesar do começo da temporada de precipitações, o que causará uma queda na produção agrícola e um consequente aumento nos preços dos alimentos.

Além disso, a chegada de emigrantes da Líbia pressiona ainda mais o Sahel, já que mais da metade das 80 mil pessoas que retornaram ao Chade durante o conflito líbio são provenientes desta região.

Gurtner esclareceu que a crise alimentícia não chega aos níveis do Chifre da África porque várias agências da ONU estão há 18 meses trabalhando no país, onde criaram 200 centros de alimentação suplementar e conseguiram manter os níveis de desnutrição.

Outro problema do Chade, que está entre os cinco países mais pobres do mundo, é a epidemia de cólera sem precedentes que vive neste momento, deixando cerca de 13,5 mil pessoas afetadas e 400 mortes.

“Não houve uma epidemia de cólera semelhante desde 1991, que contaminou 14 mil pessoas, quase o mesmo que agora, com a diferença que se prevê que o número de doentes ultrapasse os 15 mil à medida que a temporada de chuvas avance”, explicou Gurtner. Também há focos de cólera em países vizinhos como Camarões, Níger e Nigéria.

O coordenador humanitário da ONU no Chade ressaltou que o grupo populacional mais vulnerável a todos estes problemas é o composto por cerca de 180 mil refugiados internos no país, que surgiu como consequência da guerra civil entre 2007 e 2009.

No Chade também vivem cerca de 250 mil refugiados procedentes de Darfur e 130 mil procedentes da República Centro-Africana, que, no entanto, habitam acampamentos um pouco melhor equipados com serviços de água e saneamento em relação aos que vivem os refugiados.

“É fundamental que a comunidade internacional seja alertada sobre a crise humanitária de proporções dramáticas que o Chade viverá em poucos meses, caso não atuemos agora”, ressaltou Gurtner.

Fonte: Terra

A MINURCAT vai deixar o Chade até o fim do ano

O Conselho de Segurança das Nações Unidas decidiu ontem retirar, até ao fim do ano, a missão que se encontra no Chade e na República Centro-Africana (RCA).

Na resolução 1923, aprovada pela unanimidade dos 15 membros do Conselho, e por desejo das autoridades chadianas, determina-se que os 4375 elementos daquela missão da ONU se retirem por fases, até ao próximo dia 31 de Dezembro.

Segundo o esquema aprovado, a componente militar da Missão das Nações Unidas na RCA e no Chade (Minurcat), constituída por 3300 soldados, passa até 15 de Julho para apenas 2200, 1900 dos quais no Chade e os restantes no país vizinho, situado a Sul.

As forças restantes, bem como a componente civil da missão, de um pouco mais de mil pessoas, saem até ao fim de 2010.

Agências Internacionais, como a Anistia Internacional, já declarou que a retirada das tropas da ONU do Chade poderá colocar em perigo a situação de milhares de refugiados chadianos.

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